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Crítica de Fernando Melo: Estamos com os azeites!

(Fotografia: DR)

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Quando se começa nunca mais se consegue parar. À maneira de colecionadores, não resistimos à novidade nem à prova comparativa. Custa a crer que há poucas décadas estávamos numa espécie de torpor, e que os hipermercados estavam longe de oferecer qualidade. Azeite era apenas azeite e já está. Hoje, há acesso a um manancial inédito da produção portuguesa e operações como a da notável loa.pt põem-nos em contacto com o admirável mundo novo do azeite. A escolha foi feita apenas dentro da categoria virgem extra, o que significa acidez abaixo de 0,8%.

Ao contrário do que acontece com os vinhos, o nosso palato não tem forma de perceber a acidez de um azeite. Engolimos sorvendo as amostras para sentirmos os amargos, mas não temos forma de sentir o ácido oleico presente em cada azeite. A designação de virgem extra representa o supremo da qualidade e isso é suficiente.

Outro logro é o da cor do azeite. Há que ter sempre presente que a cor não representa nada em termos de qualidade. É por isso que os gobelés de prova são de vidro escuro, para que psicologicamente não influencie o resto da prova. Importante mesmo é provar e comparar. Se for com alguém ou em pequeno grupo, ainda melhor. É mais do que tempo de nos rendermos à evidência que Portugal tem uma palavra a dizer no panorama internacional. E também de que uma receita executada com o azeite certo pode fazer toda a diferença. É só começar.

Mainova Galega
Alentejo Virgem Extra | Mainova 13,50 euros (500ml)
Pontuação*: 17,5

Azeitonas provenientes de olival tradicional de 70 anos, da variedade Galega. Solos de transição xisto-granito. Nariz muito elegante e delicado. Notas frescas de erva cortada, folha de oliveira e sugestões de maçã verde. Frutado e especiado, a mostrar nuances de maçã verde, tomilho e orégãos. Na boca, proporciona entrada suave e aveludada, ligeiro amargo, para um final picante persistente, como compete à variedade Galega. Sabor pronunciado de frutos secos como amêndoa e avelã, com notas de maçã madura. Final ligeiramente herbáceo e apimentado, muito equilibrado. É o primeiro azeite 100% Galega desta casa.

Taylor’s Early Harvest
Douro Virgem Extra | Taylor’s 18 euros (500ml)
Pontuação*: 18

Azeite produzido a partir de azeitonas colhidas cedo, oliveiras da Quinta de Vargellas, Quinta de Terra Feita e Quinta do Junco. Apoia-se nas variedades Madural, Verdeal Transmontana, Molar e Cordovil. O facto de a colheita ser mais cedo abre caminho para se chegar a um nível mais elevado de antioxidantes, com benefícios para a saúde humana. O racional por detrás deste aspeto tem a ver com o estendimento da vida útil do próprio azeite. O efeito de frescura acentuada pode ser de grande utilidade e prazer em saladas, mousse de chocolate ou mesmo gelados.

Casa de Santo Amaro Prestige
Trás-os-Montes Virgem Extra | Casa de Santo Amaro 18,50 euros (500ml)
Pontuação*: 18,5

Os irmãos Francisco e António Pavão governam um património oleícola centenário que atravessa gerações e representa o melhor de que o terroir transmontano é capaz. Quem gosta de azeites com personalidade vai gostar muito deste topo de gama. Frutado verde médio. Madural, Verdeal Transmontana e Cobrançosa. Aroma de azeitona fresca, relva cortada e rama de tomate. Boca de pendor amargo, picante persistente. Fim de boca prolongado e harmonioso. É um azeite genuinamente multiusos que vai abrilhantar pratos de bacalhau no forno e peixe grelhado.

Belarda
Trás-os-Montes Virgem Extra | Graça Gonçalves 15 euros (500ml)
Pontuação*: 17

Graça Gonçalves, enóloga de pergaminhos consolidados na Quinta do Monte d’Oiro, na região de Lisboa, tomou a decisão radical de regressar às suas origens transmontanas. Feliz e realizada, tem mais tempo para se dedicar ao seu azeite. Frutado maduro. Maioria proveniente de oliveiras centenárias, variedade Santulhana. Colheita feita no início da maturação, com a azeitona ainda verde. Aromas de couve e erva fresca. Boca de frutos secos verdes, como noz e amêndoa. Muito suave, amargo e ligeiro picante. Impressão espessa na boca.

Segredos do Côa Extreme
Douro Superior Virgem Extra | Aníbal Soares 23 euros (500ml)
Pontuação*: 18

Produção relativamente pequena, a partir de olival de grande valor histórico. Azeite feito com paixão e ciência. Apresenta sabores muito marcados, ligeiramente picante. Frutado verde médio. As variedades de azeitona que o compõem são Negrinha do Freixo, Madural, Verdeal e Cobrançosa. Experimente regar com ele pêssegos cortados ao meio ao forno quente e vai ver o resultado extraordinário que obtém. Excelente também com sela de borrego no forno. Funciona muito bem com tempos de cozedura longos, a baixa temperatura.

Quinta Mourisca Negrinha do Freixo
Trás-os-Montes Virgem Extra | Quinta Mourisca do Alendouro 13 euros (250ml)
Pontuação*: 17,5

Frutado verde, variedade Negrinha do Freixo. Produção em Chacim, Alfândega da Fé, a apenas 15 minutos dos olivais. Muito frutado e muito pungente. É um concentrado de sensações e emoções. Grupo de amargos muito presente, a resultar num azeite fantástico para quase todas as ocasiões. A azeitona Negrinha do Freixo vai ao fundo dos núcleos de sabor no contacto com a comida e o palato, e faz um trabalho muito eficaz de preparação da própria digestão. Mesmo integrado em receitas onde tem pouca presença, mostra sempre grande personalidade.

Furada
Douro Virgem Extra | Duarte Nuno Alegre 24,50 euros (500ml)
Pontuação*: 18,5

Frutado maduro. Oliveiras seculares, variedades Constança, Molar, Cordovil, Verdeal, Madural, Galega, Negruxa, Negrinha do Freixo e Cobrançosa, entre outras. Azeitonas colhidas por varejo manual tradicional, trituradas em mós de granito antigas. Seis meses de decantação. Duarte Nuno Alegre é médico com a paixão pelo vinho e azeite a exigir todo o tempo que consegue drenar do magnífico terroir que tem a seu cargo. O azeite é feito por Francisco Pavão e juntos têm forte entendimento e alinhamento de estratégias. Brilha com tomate cru ou cozido.

Casa de Valpereiro Praemium
Trás-os-Montes Virgem Extra | Casa Valpereiro 17,50 euros (500ml)
Pontuação*: 17,5

Frutado verde médio. Verdeal Transmontana, Madural, Cordovil e Cobrançosa. Gosto muito do comportamento deste azeite em boca, talvez pela excelsa mistura de variedades presente. Seguramente, a idade considerável das oliveiras tem influência determinante. O mais relevante é, contudo, o terroir e a ligação brilhante com a excelente fruta. Muito suave, aromas discretos, aviva-se no contacto com a comida, seja um simples tomate maduro ou um estufado longo que tenha este azeite na base. Fiz experiências felizes com fruta e flor de sal.

4C Cobrançosa
Alentejo Virgem Extra | 4C Azeites 14,50 euros (500ml)
Pontuação*: 17

Olival de Cobrançosa em Serpa. Azeite proveniente das quatro courelas propriedade do produtor. Para além da casta que dá nome a este azeite tão especial, o gosto do produtor dirige-se para as variedades Frantoio e Koroneiki. As três são ricas em polifenóis, os elementos antioxidantes que tornam os azeites mais amigos da saúde e longevidade humanas. Confesso-me fã de Cobrançosa, especialmente cultivada no Alentejo por quem percebe e sabe como tirar dela o maior proveito. Experimente colocar uns pingos sobre uma feijoada acabada de fazer.

CARM Praemium
Trás-os-Montes Virgen Extra | CARM 17 euros (500ml)
Pontuação*: 18,5

Frutado maduro. Madural, Verdeal e Negrinha do Freixo. Extração a frio em contínuo, moinho de pedras tradicional. A Casa Agrícola Roboredo Madeira praticamente marca uma nova era na produção de azeite em Portugal. A sua utilização da ciência e a procura constante dos melhores resultados de forma pragmática de certa forma passou a ser o pensamento dominante. Todos os seus azeites são recomendáveis e no entanto muitos ainda não conhecem o trabalho que lhes está por detrás. Este azeite representa a um tempo a confirmação da sua liderança e a validade da sua abordagem.

*Pontuação de 0 a 20