São amigos desde os tempos de infância e mantêm-se juntos na vida e no trabalho. Depois de ficarem desempregados na mesma altura, Vítor Pereira e Clarisse Rodrigues deixaram para trás as funções como topógrafo e comercial para mergulhar na gastronomia. Uma paixão comum que marinava há muito, e à qual até já tinham estado ligados – a mãe de Vítor teve um restaurante e Clarisse já havia trabalho num.
Em 2012, tomaram conta do Patanisca, no centro histórico da cidade onde nasceram. A reformulação do espaço trouxe nova vida a este restaurante cinquentenário, mas manteve-se a matriz tradicional da cozinha, que aposta em produto da região e da estação. E se Vítor lidera os tachos, Clarisse comanda os doces e a sala. “É uma cozinha franca, honesta, o mais caseira possível. Como a das nossas avós”, conta Clarisse.
As pataniscas de polvo e de bacalhau – à unidade ou com arroz de feijão – são já clássicos da casa, tal como o bacalhau com broa e os bifes, com uma variedade de molhos: de francesinha, café, pimenta, cogumelos ou mostarda, por exemplo.
O chef Vítor Pereira. (Fotografias de Leonardo Negrão)
A história da cidade também se prova no menu. Exemplo claro é o bife Wellington (por encomenda), prato criado em homenagem a Arthur Wellesley, duque de Wellington e responsável pela criação das Linhas de Torres Vedras, o sistema defensivo que ajudou o exército anglo-português a derrotar as tropas napoleónicas, durante a terceira invasão francesa, em 1810. Outro caso é a sobremesa Torres de Sabor, que recria o famoso pastel de feijão da cidade (com origem conventual, no século XIX) em formato de tarte, com doce de ovo e amêndoa.
Ao almoço, há pratos exclusivos todos os dias – frango na púcara e jardineira de vitela são exemplos recentes – e importa referir ainda a garrafeira, que dá primazia aos vinhos da Região de Lisboa.
O restaurante é gerido por dois amigos há quase década e meia.
Patanisca
Rua 9 de Abril, 27, Torres Vedras
Tel.: 912374845
Web: restaurantepatanisca.com
Das 12h às 15h e das 19h às 23h. Encerra quinta e domingo.
Preço médio: 25 euros
Agenda para o Carnaval: celebrar a Revolução dos Cravos
Desde 28 de fevereiro e até a 5 de março, o Carnaval de Torres Vedras festeja nas ruas da cidade os 50 anos do 25 de Abril, numa edição mais inclusiva. Espera-se mais de meio milhão de foliões.
(Fotografia de Leonardo Negrão)
Há três anos que está inscrito como Património Cultural Imaterial nacional e o município prepara por esta altura a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da UNESCO. Além deste, há mais motivos para festejar ao ar livre no Carnaval de Torres Vedras, que este ano tem como tema principal “50 Anos, 25 de Abril”.
Entre 28 de fevereiro e 5 de março, espera-se mais de meio milhão de visitantes neste que é um dos Entrudos mais afamados do país, e que celebra a liberdade com uma edição mais inclusiva, com mais acessos para pessoas com mobilidade reduzida e tradução em língua gestual em alguns momentos da festa.
Pelas artérias do centro da cidade, há desfiles diurnos e noturnos de mascarados e carros alegóricos, onde não faltará a habitual sátira política e social deste Carnaval, que comemorou o seu centenário há dois anos. Entre os destaques esteve a Chegada dos Reis do Carnaval, dia 28 pelas 22h, entre a estação ferroviária e a Avenida 5 de Outubro e está agora o Enterro do Entrudo, a festa final pelas 21h de dia 5, entre a Avenida Tenente Valadim e o Tribunal de Torres Vedras. Concursos de máscaras, desfiles de escolas e animação de DJ noite fora são outras valências do cartaz para este ano, que tem atividades pagas e outras de entrada gratuita – a programação detalhada está no site oficial.
É imperativo passar pela Praça da República, onde está o novo Monumento do Carnaval, inaugurado este mês. Trata-se de uma estrutura com 10 metros de altura, centrada numa figura feminina a libertar uma pomba. Junto a ela estão outros nomes como Zeca Afonso, Salgueiro Maia, Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Montenegro, André Ventura, Putin ou Trump, entre outros.
Carnaval de Torres Vedras
De 28 de fevereiro a 5 de março
Preço: algumas atividades são gratuitas; bilhete diário a oito euros; pulseira livre-trânsito a 16 euros.