Algures entre uma “marisqueira chique” e um snack-bar sofisticado, o Real Pérola by Olivier, no Largo do Rato, convida os lisboetas a conjugar o verbo petiscar, com as mãos e sem pudores, enquanto devolve à cidade o acesso ao interior daquilo que foi o edifício da Real Fábrica das Sedas, construído em 1741 na proximidade de um dos braços do Aqueduto das Águas Livres, por iniciativa de Marquês de Pombal. O nome encerra uma história, já que, mesmo ao lado, foram plantadas centenas de amoreiras, de cujas folhas os bichos-da-seda se alimentam.
Com as invasões francesas de 1807, a retirada da família real para o Brasil e toda a turbulência política que se seguiu, a Real Fábrica entrou em declínio e alguns prédios do complexo foram vendidos para comércio e habitação, cabendo a este a instalação de uma padaria. Depois de amassado, o pão era cozido em fornos de tijolo burro industriais, nas traseiras, que agora são a Sala Tasca. A decoradora do projeto, Camilla Degli Esposti, aproveitou os estuques dos tetos, as madeiras e os mármores, juntou-lhes azulejos pintados à mão e recriou a estética de 1920.
(Fotografia de Heyley Kelsing)
(Fotografia de Heyley Kelsing)
“Este espaço distingue-se de tudo o que já criámos, [por ser um] snack-mar que homenageia o que a nossa costa tem de melhor: o marisco”, afirma Olivier da Costa. Na Sala Principal, com uma barra de 14 lugares, as ostras – oriundas de Aveiro, Sado, Algarve e França – revelam as suas texturas e sabores num possível formato de degustação; enquanto as gambas, camarões e carabineiros temperados maioritariamente com pitadas de flor de sal entretêm as mãos. Nas entradas, incluem-se os clássicos pão torrado com manteiga, casco de sapateira e presunto.
O terceiro espaço, decorado com “tons de menta e verde floresta”, funciona como uma sala de transição e vinoteca, guardando muitas das garrafas de espumantes, champanhes e vinhos de Portugal e do Mundo disponíveis na carta. Aqui, os clientes também podem pedir os principais, como vieiras trufadas, bun de lavagante e tártaro de novilho, sem esquecer o pica-pau e o prego do lombo que, habitualmente, remata a refeição. No exterior, uma pequena esplanada com aquecedores conforta quem fica a comer a meio caminho entre o Rato e o Príncipe Real.
(Fotografia de Heyley Kelsing)