A grande especialidade da casa está no nome: são os ossos de espinhaço de porco cozidos durante pelo menos de três horas, servidos com batatas a murro e couve – embora haja quem dispense a guarnição, e até quem peça arroz e batata frita. Ali, os desejos são ordens, importa é ver os clientes satisfeitos. E eles chegam de todo o lado. São trabalhadores, visitantes, casais, estudantes que podem muito bem pôr-se a cantar o fado. “Faço questão de tratar todos por igual, do doutor ao pedreiro”, refere Clara Santos, que há seis anos deu continuidade a este negócio de décadas, com o nome do anterior proprietário. Ele explicou-lhe como cozinhar os famosos ossos, e é tarefa de que não abdica. Estão sempre disponíveis e integram a diária.
Se em tempos a casa esteve ligada à mercearia e aos vinhos, hoje é uma tasca de ambiente familiar, onde se pergunta aos clientes se desejam mais uma porção. Antes da pandemia, havia alguns que, de tão habituais, iam à cozinha picar qualquer coisa, e era costume juntar desconhecidos à mesma mesa, para aproveitar o espaço exíguo, estimulando, de caminho, o convívio. Agora, as paredes estão mais despidas e os lugares bastante mais afastados, por razões de segurança. E até se passou a servir refeições em regime de takeaway.
O que não mudou foi a ementa, que continua a incluir pratos como dobrada com feijão branco, mão de vaca com grão, sarrabulho, rancho, peixe frito com arroz de tomate ou carapaus de escabeche. Propostas robustas, em doses (e meias doses) generosas, que vão bem com o frio, embora algumas fiquem todo o ano – é o caso da feijoada. “As pessoas vêm cá pelos pratos típicos, que já não se encontram em qualquer lado”, observa Clara, que baixou ainda mais os preços. “À hora de almoço, as diárias custam 6 euros, e à noite come perfeitamente por menos de 10 euros”, assegura. Há é que levar dinheiro no bolso, pois não existe multibanco.
Coleção de garrafas
As garrafas de coleção expostas numa prateleira vêm, em grande parte, do anterior proprietário. Mas entretanto já chegaram mais exemplares, alguns oferecidos por clientes.
Fotografia: Maria João Gala/GI
O menu
Diária (ao almoço): 6 euros
Inclui sopa, pão, bebida (água, sumo ou vinho), prato e café.
Fotografia: Maria João Gala/GI
Especialidades: ossos, dobrada com feijão branco, carapaus de escabeche, mão de vaca com grão, tancho, feijoada à transmontana ou à brasileira (com feijão preto e vários tipos de carne).
Sobremesas: mousse de chocolate, doce de amêndoa, baba de camelo, natas do céu, pudim de leite condensado (este último introduzido por Clara Santos, e feito por si).
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