As carnes são caseiras, os legumes vêm das hortas de familiares, o peixe dos barcos da terra, o vinho é de lavrador, os empregados são irmãos, primos, tios, sobrinhos. Ali, n’O Firmino, à entrada da principal rua do Bairro Norte, a dois passos da praia, na Póvoa de Varzim, há “comida caseirinha”, numa “casa familiar”.
“Tenho aqui clientes que andaram comigo ao colo, que tomavam conta de mim para a minha mãe ir fazer um prego ou servir alguém”, conta, sorrindo, Isabel Araújo. Nas mãos do pai, Firmino Brito, a casa tem 47 anos. Isabel já perdeu a conta às histórias gravadas naquelas paredes – e o que se ria quando, criança pequena, lavava a cara na tigela, encostada à pipa, onde caíam os restos de vinho.
Bacalhau à Firmino (frito com batatas às rodelas e cebolada). (Fotografia de Igor Martins/GI)
Ela e as irmãs nasceram e cresceram ali, entre tachos e panelas, a tomar conta uns dos outros e a ajudar como podiam. O pai chegou à Póvoa em 1966. Começou numa casa conhecida por Portas de Cortiça, junto ao Casino. Trabalhava de dia e de noite, com os muitos que vinham ao jogo à Póvoa e os que, depois do turno, no Casino, passavam por lá a comer. Seguiu-se o Estrela do Mar e, uns anos depois, em 1975, O Firmino.
A comida caseira sempre foi o forte e as gentes de Guimarães, Famalicão, Vizela e Famalicão que, no verão, escolhiam a Póvoa para vir a banhos, depressa descobriram a casa. Hoje, os clientes são um misto de poveiros e “malta” de fora: “Os pratos ainda são os mesmos de há 47 anos. Os clientes já sabem que à segunda, por exemplo, é bacalhau cozido com grão-de-bico, ao sábado tripas e ao domingo cozido à portuguesa”, continua a contar Isabel.
A mãe, Teresa, aos 75 anos, ainda toca a cozinha. Isabel e a irmã, Alexandrina, tratam do serviço às mesas ou para levar. O pai vem quando a saúde o deixa.
Cozido à portuguesa. (Fotografia de Igor Martins/GI)
O espaço é humilde, a decoração entre uma antiga adega e um restaurante, paredes em azulejo ou pedra, quadros, uma ou outra fotografia. Os clientes são quase todos tratados pelo nome. À porta, do lado do Largo Caetano de Oliveira, a enorme pipa de vinho anuncia a casa. Numa das paredes, as homenagens do “grupo das terças” ao “amigo” Firmino: médicos, engenheiros e advogados reuniam-se ali uma vez por semana. Só homens. Hoje, já reformados, muitos ainda lá continuam a ir. Ao lado, uma fotografia com mais de 30 anos de Firmino a arranjar um enorme bacalhau fresco.
Por ali, é famoso o bacalhau à Firmino (frito com batatas às rodelas e cebolada), o cozido à portuguesa, as tripas, a pescada à poveira, a sardinha assada, as papas de sarrabulho. Nas sobremesas, o top é partilhado pelo Firminito, um doce da casa feito com bolacha, café e chantilly; as Teresinhas, um folhado de massa filó e creme de ovo; e a rabanada à poveira.
Ao almoço há sempre prato do dia. Bacalhau com grão, rancho, sardinha frita e tripas estão entre as opções,
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