Ao fim de “cinco anos extraordinários” à frente do restaurante Cura, integrado no hotel Ritz Four Seasons Lisboa, mas com vida própria, Pedro Pena Bastos, de 34 anos, anunciou no seu perfil na rede social Instagram que decidiu sair do projeto. “Chegou o momento de encerrar este capítulo tão especial da minha carreira”, escreveu, num curto texto na legenda da publicação.
À “Evasões”, o cozinheiro adiantou que a saída do Cura não se deveu a nenhum tipo de desmotivação com o trabalho que vinha a desenvolver, antes a um “sentido de oportunidade”. “Cheguei a um ponto na carreira em que via os anos a passar e gostava de concretizar alguns sonhos e capitalizar o sucesso que obtive no Cura. Isso abriu-me os olhos para uma série de coisas. Agora é que tenho a energia para arriscar [dar este passo]”, explicou.
(Fotografia de Manuel Manso / Chefs Sem Reservas)
Todos os projetos que o chef diz ter para este ano estarão ligados à gastronomia, e um deles deverá ser conhecido do público ainda antes do início do verão. Será um restaurante de rua, no centro de Lisboa, com “uma identidade portuguesa bem presente”, e onde as suas “memórias e sabores estarão sempre à mesa”. “Um restaurante onde a tradição e a inovação caminham lado a lado, trazendo o melhor de Portugal e das minhas vivências”, escreveu no Instagram.
Explicando tratar-se da concretização de uma “ideia pessoal” e não de nenhum convite ou desafio de algum outro player da restauração, Pedro Pena Bastos justificou ainda à “Evasões” que “por muito que adore alta cozinha” e se mantenha “uma pessoa altamente criativa e inconformista na cozinha, aliado a uma grande base científica”, quer muito “ter um projeto para alimentar outro tipo de público que não tem ou capacidade financeira ou interesse pela alta cozinha”. “Será um espaço mais acessível e próximo de todos”.
Pedro Pena Bastos estava à frente do Cura desde setembro de 2020, e foi responsável por lhe dar uma estrela Michelin em pouco mais de um ano. Um “marco inesquecível”, salientou, “fruto do trabalho de uma equipa extraordinária, que sempre acreditou” nele “e no projeto”. O chef agradeceu também a todos os fornecedores e clientes que foi conhecendo ao longo destes anos.
(Fotografia de Manuel Manso / Chefs Sem Reservas)
Ainda assim, não descarta uma reaproximação à alta cozinha, no futuro próximo. Por ora, mostra-se “confiante” e atento a ver “como as coisas correm”, sabendo de antemão que “o mercado nacional da restauração é atualmente um desafio”. Mas também sabe, acredita, que “há sempre lugar para inspirar os outros com a gastronomia portuguesa”.
Pedro Pena Bastos liderava o Cura desde a abertura do restaurante em setembro de 2020, depois de ter inscrito o Ceia, também em Lisboa, na lista de restaurantes e bares de todo o mundo recomendados pelos peritos da Academia 50 Best “50 Best Discovery”. Pouco mais de um ano depois da abertura do Cura, conquistou uma estrela Michelin, concretizando um feito que já lhe vaticinavam desde que, com apenas 24 anos, assumiu a cozinha do restaurante da Herdade do Esporão.
Pena Bastos nasceu em Santa Maria da Feira, mas cresceu no Porto até ir estudar para a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, depois de a cozinha ter vencido duas as paixões pela música e pela fotografia. Começou na cozinha no Cafeína, no Porto, e passou depois por vários restaurantes estrelados no início da carreira, como o Feitoria e o Belcanto, em Lisboa, o Geranium, em Copenhaga, e o Ledbury, em Londres. Antes de assumir a cozinha do Esporão (de 2014 a 2017), chefiou ainda a cozinha do Grémio Literário, em Lisboa.