Provar o pão-de-ló de Margaride é saborear uma história com mais de 300 anos. Este bolo seco e fofo, à base de ovos, farinha e açúcar, remonta ao século XVIII, e terá sido confecionado pela primeira vez na freguesia de Margaride, em Felgueiras, por uma doceira chamada Clara Maria. Antónia Filix, sua ajudante, terá dado continuidade à receita, até a passar a Leonor Rosa da Silva. A ausência de descendentes fez com que as indicações de produção fossem transmitidas ao irmão do seu último marido, bisavô de Guilherme Lickfold, atual gerente da empresa felgueirense, situada no centro do concelho, desde 1900.
É na Praça da República, no interior de uma casa senhorial forrada a azulejos verde-garrafa, que se preparam os pães-de-ló e as cavacas, quase todos os dias do ano. Quem participar nas visitas guiadas, da parte da manhã, pode assistir ao processo de fabrico que consiste em partir os ovos, e deixá-los a bater com açúcar nas amassadeiras em madeira durante quase uma hora, até a farinha ser envolvida na mistura. Enquanto as mulheres forram as formas de barro com papel almaço, os fornos em tijolo são aquecidos com um maçarico e a temperatura estabilizada com madeira, para que os bolos cozam de forma uniforme. Depois, é deixar arrefecer até estarem prontos para serem comidos à mão.
Procurado durante todo o ano, mas sobretudo na Páscoa, no Natal e durante o mês de agosto, por emigrantes que vêm a Portugal, este pão-de-ló também colheu a apreciação da realeza, tendo a fábrica sido fornecedora da Casa de Bragança, em 1880, e da Casa Real Portuguesa, em 1893.
Hoje, o pão-de-ló é vendido em diversos tamanhos, disponíveis na fábrica, no site e em diversos pontos de venda pelo país.
CAVACAS
Os biscoitos redondos são preparados com a mesma massa leve do pão-de-ló, e levam uma cobertura de calda de açúcar, que é aplicada dando uma volta com a mão. Como a calda é colocada a quente, o processo requer alguma técnica e habilidade para evitar queimaduras.