Há dois anos que na pequena cozinha do Goela, na Avenida da Boavista, cabe o mundo. Mundo esse que se reflete nos pratos de “comida de conforto aleatória”, cuja inspiração chega de países como o Japão, a Itália ou os EUA. Era esta “liberdade criativa total” que o chef João Ribeiro ambicionava, depois de ter passado pelas cozinhas de espaços como o Terminal 4450 e o Muu Steakhouse.
Chef João Ribeiro. (Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens)
Estas e outras incursões deram ao autodidata a confiança e as aprendizagens necessárias para se lançar a solo. Já que, recorda, quando começou a trabalhar em cozinha, apenas com um curso de pastelaria, “não sabia sequer fazer um arroz”. Depois de muitas aprendizagens, em janeiro de 2020 abriu o Goela, que começou por se apresentar como um restaurante de takeaway e entregas ao domicílio.
Um ano depois, quando se levantaram as restrições da pandemia, e João se apercebeu da “fome” da clientela em comer fora, decidiu arrumar a sala, montar uma esplanada e inaugurar os almoços, com dois pratos do dia, um de carne ou peixe, e outro vegetariano. E agora, em meados de março, vão começar a ser servidos os primeiros jantares, à sexta e ao sábado.
Aí, a escolha será feita à carta, mas a premissa manter-se-á: sempre que possível, usar produtos da época e de proximidade, e fazer tudo de raíz. São cozinhados ali mesmo o pão de hambúrguer, os brioches, os fermentados (de ameixa, de malagueta ou kimchi,) e os pickles (de nabo, de pepino e de cebola roxa) – duas preparações “fáceis de fazer” e que acrescentam imediatamente uma certa complexidade ao prato, e equilibram receitas picantes ou com mais gordura.
Os pratos do Goela, sempre a 7 euros, são agradáveis surpresas a cada dia. Ora nos levam até ao Japão com o katsu curry (caril japonês) ou com o donburi, ovo BT, cogumelos, folhas verdes e pickle de nabo; ora ficamos mais perto, por Itália, à boleia da focaccia, do fettuccine al pesto e da tarte de tomate. O mac & cheese, os hambúrgueres, o Goela Fried Chicken, as cookies e o cheesecake remetem para a gastronomia norte-americana; já a tarte de picanha tem sabores brasileiros, e as pataniscas de legumes, e o brás de cogumelos e a tarte de bacalhau são um piscar de olhos à cozinha portuguesa.
Todos os dias, há sopa e sobremesas que vão variando, sendo que a oferta aumenta à sexta, com os bolos da Pontos de Açúcar, a pastelaria vizinha, e com os croissants e cruffins da Azeda. Estas são algumas das parcerias do Goela, que também trabalha com o pão da Trindade, com as massas artesanais da Nonna e com a kombucha d’Aquela Kombucha. Quinta é dia de bubble tea. Esta bebida tradicional de Taiwan, de onde é Sunny Cheng, mentora do projeto Bom Babo, é feita com pérolas de tapioca envolvidas em leite de vaca ou bebida vegetal, e chá preto, chá verde, matcha ou café.
Pontualmente, há eventos dentro e fora do restaurante. Em janeiro, serviram-se brunches feitos em colaboração com o chef André Cabrita e, de tempos a tempos, a cozinha do Goela vai até ao bar Catraio em formato pop-up.
Prato do dia: 7 euros
Especialidades: donburi; mac & cheese, katsu curry, katsu sando, focaccia, pataniscas de legumes
Sobremesas: cookies, cheesecake de caramelo salgado