Têm apenas 30 e 24 anos e já tomam conta das rédeas desta casa familiar, mas José e Carlos Amaral habituaram-se, desde cedo, às rotinas da restauração, herança herdada do pai, Agostinho, o antigo proprietário do Pato Real, o restaurante e pastelaria que se tornou num clássico das Avenidas Novas quando o assunto é comer bem e barato. É assim há já sete décadas.
“Nós crescemos dentro deste espaço, que foi passando de geração em geração. Sempre nos habituámos a ajudar o nosso pai aos fins de semana e feriados”, conta Carlos. O irmão mais velho, José, tomou o leme do barco há precisamente uma década, quando estava na faculdade e no seguimento da reforma do pai, e o mais novo juntou-se uns anos depois. O público foi-se fidelizando, tanto aos almoços como aos jantares, muito à conta dos preços simpáticos – e cada vez mais raros em Lisboa – do restaurante, onde impera o receituário tradicional português, pelas mãos da Dona Zezé, a cozinheira que aqui está há meia década.
As pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. (Fotografias: Gerardo Santos/GI)
O pernil assado com batatinha é outro dos pratos que compõe o menu de almoço, às quintas.
No menu de almoço, que inclui couvert, bebida, sopa, prato, sobremesa e café, os pratos vão variando consoante o dia, sempre em doses individuais mais generosas do que o habitual. À segunda-feira, reina o bacalhau à Brás e a carne de porco à alentejana; à terça sai o pato assado no forno; à quarta dá-se atenção ao cozido à portuguesa e ao leitão da Bairrada; à quinta, o pernil assado e as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão ganham protagonismo; e à sexta é a vez do bacalhau à minhota e a feijoada à transmontana.
Nas duas salas do Pato Real, ou na sossegada esplanada traseira equipada para proteger da chuva e do sol, provam-se também outras propostas da carta fixa, como o frango de fricassé, as iscas de cebolada, as codornizes fritas com piripíri, as tiras de entremeada, a alheira de Mirandela com ovo e o bitoque da casa. Agora que os dias estão mais quentes e longos, importa falar ainda no peixe na grelha, aqui casos dos carapaus, das sardinhas, do robalo e da dourada. Tudo, claro está, a preços imbatíveis, a partir dos 4,50 euros. “Mantemos os mesmos preços que o nosso pai praticava”, revela Carlos.
Os irmãos Amaral seguem o percurso do pai e estão agora à frente do Pato Real.
Flan, arroz doce e cheesecake de frutos vermelhos são alguns dos doces da casa.
No remate final à mesa – leia-se as sobremesas – continua-se a apostar nos clássicos, do arroz doce ao leite-creme, pudim flan, bolo de bolacha e cheesecake de frutos vermelhos. Quem preferir, pode optar pelos natões, os famosos pastéis de nata do Pato Real, maiores do que os normais. “Num dia normal, chegamos a vender duzentas unidades”, explica José Amaral, atrás do balcão onde se vendem outros artigos de pastelaria como queques gigantes, bolas de Berlim e croissants, ao lado de salgadinhos como empadas de galinha, croquetes de vitela, almofadas de vitela e rissóis de leitão e de camarão.
Agora que o apetite está aguçado, só falta falar no nome. Já vem desde a década de 1950, a origem do restaurante, e acredita-se que tenha que ver com a quantidade de patos-reais que abundam no vizinho Jardim Gulbenkian. “Volta e meia, até os vemos a passear aqui mesmo pela rua”, ri-se José Amaral.
Os natões do Pato Real, de tamanho maior do que os normais pastéis de nata.
O MENU
Menu de almoço a 7,50 euros
De segunda a sexta, inclui couvert, bebida, sopa, prato do dia, sobremesa e café.
Pratos incluem bacalhau à Brás, pato assado no forno, cozido à portuguesa, pernil no forno, bacalhau à minhota ou feijoada à transmontana.
Entre as sobremesas estão cheesecake de frutos vermelhos, leite creme, pudim flan ou arroz doce.
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