Publicidade Continue a leitura a seguir

O novo restaurante de peixe de Lisboa recria uma casa de pescador

Publicidade Continue a leitura a seguir

Pequenas embarcações penduradas numa parede, capas de pesca amarelas noutra, boias em cores quentes, candeeiros recuperados de navios, antigas balanças de peixe que agora servem de lavatório e um grande barco em madeira suspenso no teto. A decoração do novo restaurante lisboeta com uma carta totalmente focada no peixe já dá as pistas necessárias, mas é sentado à mesa que se confirma que está bem conseguida a recriação de uma típica casa de pescador, uma personagem à qual se deu o nome de Tio Quim.

O Jaquinzinho é uma clara homenagem ao mar e à dura vida de pescador, tendo como base a tradicional cozinha portuguesa, mas dando-lhe, volta e meia, uns pormenores com inspiração oriental, fruto dos anos em que a família do dono viveu na Ásia. Uma equação que une respeito a um cunho criativo, da mesma forma em que rústico e contemporâneo também se fundem na decoração, como se vê na convivência entre sofás de veludo e cadeiras de rabo de bacalhau.

A cozinha do Jaquinzinho é aberta e desta espreitam, da vitrina, o peixe mais fresco do dia, todo da costa portuguesa. Do anzol para o prato, usa-se em propostas na grelha e ao sal, do robalo ao pregado, dourada, atum, chocos ou corvina, alguns dos mais frequentes. Os jaquinzinhos marcam presença nas entradas, com uma maionese de trufa, assim como umas amêijoas (14€) e camarões à Jaquinzinho (16€), duas reinterpretações dos clássicos, à Bulhão Pato e à guilho, mas aqui com gengibre, erva-príncipe e malagueta no molho.

As lascas de robalo são um dos pratos principais (21€), e trazem maresia a cada garfada, acompanhadas de arroz de tinta de choco, berbigão e molho tailandês. À mesa vão chegando também uns noodles translúcidos com camarão (19,5€), tártaro de dourada (18,5€), a açorda de bacalhau e gambas no pão (36€, para dois) ou a sopa de peixe à Nona (15€, para dois), com inspiração na tom yum tailandesa. Imperdível é o tachinho de arroz de tomate com peixe do dia: assim que se destapa, invadem os aromas a lima kaffir e erva-príncipe. O peixe é rei e senhor nesta casa, mas há liberdade para se adaptarem alguns pratos a versões vegetarianas e veganas.

Nas 20 referências vínicas, aposta-se em pequenos produtores e na proximidade ao mar, mas também há cocktails com assinatura. O primeiro couvert, com manteigas caseiras, pão da Gleba e água aromatizada, é sempre oferta, mas o final também é caloroso, com pannacotta de sésamo preto e caramelo salgado e creme de whisky ou uma mousse de chocolate negro com bolo de banana. Mas é à chegada, perante porta fechada e a obrigatoriedade de tocar a uma campainha para conseguirmos entrar, que nos sentimos em casa. A do Tio Quim, claro.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.