Quando se pensa na Serra de Aire e Candeeiros, uma das primeiras imagens que vem à cabeça são as suas tão características encostas de maciço calcário. Mas falar nesta região também é sinónimo de mesas clássicas com cozinha de forno e aconchego, servidas, por norma, em doses que pedem apetite acima da média e com preços que só se encontram neste tipo de cenários rurais.
Na pequena aldeia de Alcaria, a Cova da Velha é um desses exemplos, há mais de duas décadas. À frente do espaço está João Ribeiro, que aqui nasceu e para onde voltou, depois de ter fugido para o Canadá com a família para fugir a Salazar. Na casa que serviu em tempos de entreposto, para se trocarem as mulas que traziam peixe da Nazaré, servem-se hoje muitos assados no forno, com grande aposta na carne local, como o javali, o pato, o coelho, a vitela, e o porco-preto, acompanhados com batatinha, grelos ou couves.
A cozinha de forno é um dos pilares da casa. (Fotografias: Leonardo Negrão/GI)
O bacalhau também tem lugar à mesa no Cova da Velha.
Outro clássico da casa é o cabrito no forno, “diferente do habitual porque é aromatizado com tojo, alecrim e outras ervas frescas da nossa serra”, a mesma para a qual se olha a partir dos janelões, enquanto se degusta a refeição. Já entre as novidades mais recentes estão o pernil de borrego estufado em vinho tinto e a asa de raia braseada com risoto de legumes. A despedida é feita com as sobremesas da mulher, Mafalda, que adoça a carta com propostas como o pudim de pão com gelado de caramelo, feito com pão caseiro desta mesma aldeia.
O importante aqui é vir comer com tempo, vagar e fome, claro. “Estamos na serra. Tem que haver tempo e espaço para comer”, diz o proprietário do espaço, onde há zonas de lareira a pensar no inverno e imagens da Serra de Aire espalhadas pelas paredes, trazendo um pouco da natureza e da ruralidade aquém-paredes.
O restaurante tradicional fica situado na aldeia de Alcaria.