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No Boca Linda, há guacamole com grilos tostados (e comida mexicana sem clichés)

Guacamole com chapulines (grilos), uma das entradas do menu do Boca Linda. (Fotografia de Gabriell Vieira)

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“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Este slogan, dito pelo poeta e escritor Fernando Pessoa na época em que trabalhava em campanhas publicitárias, mantém-se mais atual do que nunca quando o assunto é provar novos sabores e produtos, como grilos tostados. Na verdade, o grilo-doméstico foi o terceiro inseto autorizado como ingrediente alimentar no mercado da União Europeia, mas faz parte dos hábitos alimentares mexicanos há muito, e serve-se no Boca Linda.

Os grilos (chapulines) são colocados por cima de guacamole, que chega à mesa numa taça com totopos, entre as propostas “para começar”. Outra são as esquites (milho torrado), uma comida de rua que tem diferentes versões consoante a região onde é servida. O milho, de resto, é a estrela da carta do Boca Linda, que o trabalha de diversas maneiras – lembrando também porque é a base da alimentação do país. Pico de gallo com totopos e tremoços com chile completam as entradas do menu.

(Fotografia de Gabriell Vieira)

(Fotografia de Gabriell Vieira)

Na cozinha aberta, ao fundo da sala, está o chef Marco Margain, primo de Alejandro Gonzalez Duran, fundador do Boca Linda em conjunto com a mulher Clara, lisboeta. Ao fim de 10 anos a viverem na Cidade do México, o advogado com experiência em direito eleitoral e a consultora visitaram Portugal “de chinelos e t-shirts”, em 2020, e decidiram mudar-se, cumprindo um desejo antigo de Clara de regressar a Lisboa. Dois anos depois, abriram o Boca Linda, apostado em honrar a comida mexicana.

Através das receitas passadas pela avó, Alex e o primo apresentam um conjunto de pratos presentes na rotina mexicana e que contrariam os estereótipos com que esta cozinha é tratada em Portugal, explicam. Nos ceviches e tostadas, há por exemplo aguachile verde mixto, ceviche de peixe e tostadas de atum, peixe, polvo ou camarão. Já no capítulo dos tacos, existem oito variedades, como o clássicos al pastor (porco), barbacoa (borrego) e arrachera (fraldinha), entre outros sabores.

(Fotografia de Gabriell Vieira)

(Fotografia de Gabriell Vieira)

 

Já para partilhar com quem está à mesa surgem o tutano com esquites, polvo, arrachera e pescado bicolor, um prato cujas salsas (verde e vermelha) representam as cores da bandeira mexicana. Vale a pena ainda guardar espaço para sobremesa, nas quais se inclui um brownie de chocolate picante. Já do bar, cujo balcão recria a linha do relevo das montanhas mexicanas, saem cocktails emblemáticos, com três versões cada um, consoante o gosto alcoólico: mezcal, michelada ou margarita.

 

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