Foi num desses edifícios de traço medieval da rua Egas Moniz, desenhada nas costas da antiga muralha da cidade, que Fernando Salgado e a mulher, Camila, instauraram a sua República do Polvo. O nome deixa adivinhar o que vai para a mesa daquele restaurante de decoração singela, ao estilo mediterrâneo, com peças ligadas ao mar e à pesca, como barcos, redes e nós, e uma agradável vista para a Alameda de São Dâmaso. E a história do casal ajuda a explicar a razão.
Fernando é natural do Rio de Janeiro, mas a família é original da Galiza, por isso, as raízes não lhe deixaram outro remédio senão aprender desde cedo a cozinhar polvo – prato típico da região espanhola. «Aprendi aos 13 anos. Na mesa de Natal de uma família galega tem de haver polvo», justifica, com um sorriso.
Juntou esse legado à experiência que já tinha na área da restauração – teve um restaurante no Rio de Janeiro -, e não lhe restaram dúvidas do que fazer quando decidiu vir morar para Portugal. Uma mudança de vida planeada durante mais de um ano e que o fez deixar o jornalismo – a que dedicou mais de 30 anos – para se dedicar totalmente à cozinha.
Ali, enquanto Camila assume o comando da sala, Fernando prepara um desfile de pratos onde o dito é rei. Polvo à Lagareiro, à galega, arroz de polvo, feijoada e o afamado polvo à chef. “É um prato que a minha avó fazia e que eu modifiquei um pouco”, explica. Tornou-o ligeiramente mais condimentado, com um molho de azeite, pimentão e ervas aromáticas, que depois leva a gratinar no forno. “É um aroma incrível quando chega à mesa”, assegura. E para que todos o provem, também está disponível como entrada.
Além do polvo há também espaço para outras especialidades, como o bacalhau panado com molho de três pimentas, o bife à parmegiana e o ragu de costela, cozinhado ao longo de 4 horas. Para o final guardaram “um toquezinho do Brasil”, com o bolo de bolacha que leva brigadeiro e doce de leite.
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