Há menos de um ano, Ricardo e João Cardoso tomaram as rédeas do antigo café da aldeia e transformaram-no numa casa de petiscos, “um lugar de convívio, para juntar os amigos”, definem os dois irmãos. João, já experiente na área da restauração – está ao comando da pastelaria Real Sabor, em Joane -, e Ricardo, com mão para a cozinha desde que se lembra, são os rostos da Tasquinha da Ilha, que assim se chama por estar localizada na recatada rua da Ilha, nos meandros da vila de Joane, concelho de Vila Nova de Famalicão.
É um lugar discreto, onde se vai de propósito e não por engano. Tem uma pequena sala interior e esplanada com mesas em madeira, e a cozinha à vista, com tachos em cima de fogão a lenha, onde Ricardo se ocupa da lista diária de petiscos que preenchem o pequeno quadro pendurado na parede.
(Fotografia de Miguel Pereira/GI)
“Sempre gostei muito de ver a minha mãe e a minha avó a cozinhar e quando surgiu esta oportunidade não olhei para trás”, conta o cozinheiro, que por força da pandemia ficou em layoff e aproveitou o contratempo para mudar de vida e dedicar-se à cozinha.
Uma das especialidades com lugar cativo na ementa, a par dos rojões, são as moelas. “Se não tiver até me batem”, brinca. A razão do sucesso, acredita Ricardo, está na confeção caseira: “faço como a minha mãe me ensinou, e só gosto de usar malagueta, não levam pimenta nem piri-piri”, revela.
Durante a semana, quem ali chega para almoçar pode contar sempre com um arroz malandrinho a sair, de tomate ou de feijão, que acompanha normalmente com naco de carne, pataniscas, panados ou outro qualquer petisco da seleção diária: orelha, asinhas, vitela estufada, sardinhas fritas, verdinhos… E para contrariar a tendência dos petiscos à base de carne, a dupla faz por ter diariamente – à exceção da segunda-feira – pelo menos uma proposta de peixe.
Por encomenda, Ricardo também prepara assados, bacalhau na brasa ou outro prato que lhe seja pedido. “Tudo o que o cliente quiser”, afiança.
Ao sábado, além das propostas habituais, há papas de sarrabulho – daqui a um mês dão lugar ao caldo verde -, e saem dezenas de bolos de carne e sardinha do forno a lenha, um petisco especial feito numa base de farinha de milho, trigo e centeio em proporções que o autor mantém em segredo. “É um senhor que vem aqui fazer ao sábado e não dá a receita a ninguém”, conta Ricardo. A tradição da zona é acompanhar o bolo com uma caneca de uísque-cola, a popular cuba. Mas sendo as tardes de sábado um momento de convívio entre amigos, quem ali se junta partilha muitas vezes uma garrafa de vinho, da garrafeira inesperada que os dois irmãos têm vindo a construir, com gostos pessoais e sugestões de clientes. O foco está na região dos Vinhos Verdes, em particular de pequenas produções da zona, ainda que também ali se encontrem exemplares de outras regiões. Na televisão passa habitualmente desporto, mas são os risos, a conversa e a boa disposição que preenchem esta casa de família.
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