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Está de volta o “maior festival de bacalhau do país”

(Fotografia: DR)

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Esta semana, e durante cinco dias, o fiel amigo é centro de atenções redobradas, com o regresso do Festival do Bacalhau, que acontece de 14 a 18 de agosto no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré, concelho de Ílhavo, entre as 10 e a uma da manhã. O evento gastronómico de entrada livre terá dez tasquinhas e dois bares de petiscos e contará com a presença de associações locais, que irão mostrar a versatilidade do bacalhau, confecionando vários pratos onde o mesmo é o protagonista.

No cartaz deste ano, aquele que é considerado o maior evento anual do concelho conta com 14 sessões de showcooking, associados a nomes como Cátia Goarmon, Daniel Cardoso, Tony Martins, Vanessa Alfaro e Bárbara Pereira, além de jogos, oficinas, desporto, mostra de artesanato e animação para miúdos e graúdos. A música ao vivo fica pontuada pelos concertos de Vítor Kley, Tony Carreira, GNR, Áurea e Buba Espinho. Entre outros destaques da programação, que pode ser consultada por completo aqui, estão a Volta ao Cais em Pasteleira, esta quarta, e a Corrida Mais Louca da Ria, no sábado.

A Corrida Mais Louca da Ria é um dos destaques do cartaz. (Fotografia: DR)

Ao longo dos anos, “o crescimento do festival tem sido enorme”, explica Nuno Cardoso, Grão-Mestre da Confraria Gastronómica do Bacalhau, sediada em Ílhavo, e que ajuda a organizar o certame com a Câmara Municipal de Ílhavo, ao lado de várias associações e voluntários. “São estes os grandes responsáveis por todo este sucesso. O Festival do Bacalhau iniciou-se com uma dúzia de barraquinhas que acanhadamente vendiam uns
petiscos de bacalhau e hoje é responsável pela venda de várias toneladas de bacalhau e derivados em apenas cinco dias. É o maior festival de bacalhau do país e o maior evento do concelho”, adianta o responsável.

Uma confraria que assinala 25 anos

O regresso do Festival do Bacalhau – que chega com melhorias no recinto, a inclusão de intérpretes de língua gestual portuguesa e um pavilhão Âncora renovado, onde 30 artesãos vão expor o seu trabalho – coincide com os 25 anos da Confraria Gastronómica do Bacalhau, assinalados no início deste ano. “Nasceu do seio de um grupo de amigos que promoviam entre eles almoços e jantares, sempre à volta do peixe da nossa região, maioritariamente bacalhau, peixe sempre consensual entre estes amigos. A determinada altura pela sua popularidade e pela relevância deste peixe na economia Ilhavense, decidiram estes amigos criar uma confraria”, afirma Nuno Cardoso.

Nuno Cardoso é Grão-Mestre da Confraria Gastronómica do Bacalhau. (Fotografia de Maria João Gala)

A missão, essa, sempre foi clara. “A defesa da gastronomia ligada ao bacalhau e aos seus derivados (como os samos, as línguas, as boininhas, as caras), mas é também a de não deixar cair no esquecimento toda aquela que foi a epopeia dos nossos povos na pesca do bacalhau, nos longínquos mares da Noruega e do Canadá. A missão passa por manter viva essa vida valente e dura que foi a dos que por lá andaram e nos traziam para a mesa o saboroso bacalhau”, acrescenta o Grão-Mestre.

Ílhavo, a capital portuguesa do bacalhau

Não é por acaso que Ílhavo é apelidada de capital do bacalhau, mantendo um forte e histórico legado em torno da faina maior. “É uma terra de Lobos do Mar e daqui saíram e ainda saem muitos capitães, imediatos, chefe de máquinas e pescadores. Na década de 1930, a maior parte dos homens ilhavenses andavam ao mar. Todos, sem exceção, tinham um familiar embarcado. Ílhavo tem, a nível nacional, a maior concentração de empresas ligadas à pesca e transformação do bacalhau”, afirma Nuno Cardoso.

Uma das repercussões naturais da proximidade a este peixe foi a criação, por exemplo, do Museu Marítimo de Ílhavo, “que reproduz fielmente a história desta epopeia, e o seu aquário com exemplares vivos de bacalhau, que fazem certamente merecer uma visita”, reforça.

O Grão-Mestre lidera, desde este ano, a confraria que está a assinalar um quarto de século. (Fotografia de Maria João Gala)

Ainda que as celebrações esta semana se façam em Ílhavo, o ingrediente principal é presença fixa à mesa dos portugueses, de norte a sul, ao longo do ano. Para o Grão-Mestre da Confraria Gastronómica do Bacalhau, há várias razões que pesam na sua inabalável e intemporal popularidade. “Primeiro, o bacalhau era um peixe de baixo custo e acessível a todos. Ajudava também a sua fácil conservação e transporte. A sua versatilidade permitia elaborar os mais diversos pratos, que faziam as delícias de uns e de outros, fosse confecionado desta ou daquela maneira”, explica o responsável. Mas não só: “A nossa religião ajudou na implementação do bacalhau. De cada vez que se impunha a abstinência da carne, lá vinha o sempre bacalhau disponível para a mesa”.