Quem vê de fora o velhinho edifício, na estreitinha rua do Rancho do Praça, em pleno coração da zona histórica de Vila do Conde, dificilmente diria que ali, na cave e no logradouro, há, todos os dias, “comida caseirinha”.
Feijoada, bacalhau frito, carapau ou sargo na brasa, pataniscas com arroz de feijão, rojões, frango, costelinha, raia frita, cabrito ou vitela assada fazem parte da ementa. De segunda a sábado, há diárias ao almoço, com dois pratos à escolha, mas, “à lista”, seja à noite ou ao fim-de-semana – excetuando a segunda-feira, que, por ali, os barcos descansam ao domingo -, há sempre peixe fresco.
“Depende do que os barcos trazem e da época do ano”, explica André Bonfim há dois anos ao comando. Robalo, dourada e bacalhau estão “quase sempre” lá.
Depois, por exemplo, a partir de junho, chega um dos “campeões de vendas”: a sardinha. Assada na brasa, com pimentos e batata cozida traz gente “da casa”, mas também “muitos de fora”, sobretudo, ao fim-de-semana.
Bolo de bolacha, pudim, natas do céu e mousse de chocolate terminam uma refeição “sempre com o prato bem servido”.
(Fotografia de André Rolo/GI).
Na sala, as antigas fotografias de Vila do Conde forram a parede. Em frente ao balcão, há uma pintura de uma rendilheira. É de João José, outrora um dos mais fervorosos adeptos da Praça. No piso superior, mora o espólio do rancho: taças, medalhas, trajes, fotografias e almofadas de rendas de bilros – ou não fosse aquela casa de rendilheiras. No amplo logradouro, de frente para o jardim da Alameda, há sempre um cheirinho a brasas no ar.
Por estes dias, admite André, ter uma esplanada grande é “uma enorme mais-valia”: “Permitiu-nos começar logo a trabalhar na segunda fase do desconfinamento e, mesmo agora, as pessoas ainda preferem ficar ao ar livre”.
Para André, o Bar da Praça foi “um regresso a casa”. Nasceu ali, à beirinha da sede do rancho que corre no sangue da família. Em busca de uma vida melhor, emigrou para o Luxemburgo.
Os pais da namorada tinham um café, onde André dava uma ajuda nas folgas. Ganhou-lhe o gosto. Surgiu a oportunidade de regressar e tocar um negócio só seu. Decidiu arriscar.
André Bonfim, responsável pelo restaurante. (Fotografia de André Rolo/GI).
Depois, veio a pandemia: três meses fechado, um verão a tentar recuperar, novo confinamento. “Este ano, já nos adaptamos ao take-away”, diz, orgulhoso. Agora, “aos poucos, estamos a voltar à ‘normalidade’, mas, claro, temos muito menos lugares, mais espaçados”.
Ali servem-se uma centena de almoços por dia. É, sobretudo, gente que trabalha da cidade. Ao fim-de-semana, aparece de tudo: “gente daqui e gente de fora que vem à praia ou passear e procura o peixe fresco na brasa”.
O segredo? “O trabalho em equipa, o espírito de grupo e uma comida caseirinha”, remata André, sem hesitar.
Menu do dia…7 euros
Inclui pão, bebida, sopa, prato principal e café.
Especialidades: Peixe e carnes na brasa, feijoada, bacalhau frito, cabrito e vitela assada
Sobremesas: Bolo de bolacha, pudim, natas do céu e mousse de chocolate.
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