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Crítica de Fernando Melo: O sonho italiano no Amassa, em Santarém

O ossobuco do Amassa, restaurante em Santarém. (DR)

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A cozinha italiana é a um tempo familiar e desconhecida da comunidade dita gourmet do país e encerra mundos que urge descobrir. Sabe-o bem quem já cirandou pela Europa em geral e Itália em particular em busca prazerosa de boas mesas e sabores novos. Francisco Calheiros é empresário de pergaminhos confirmados em projetos restaurativos de grande talante. Tem no palmarés locais em Santarém, Lisboa e Angola, todos marcaram pela novidade e ecletismo. Foi na derradeira experiência na capital que conheceu o chef Maurício Lage e na hora de instalar o grande sonho italiano Amassa na sua terra natal não teve dúvidas em lançar o repto ao amigo brasileiro.

Tudo acontece numa cozinha bastante exposta perante os comensais, tudo é feito a partir do zero – incluindo massas e sobremesas – e tudo é muito diferente. A tribo epicurista escalabitana chamou logo sua a esta casa e tem-na povoado com fervor desde o verão de 2022. Não basta uma visita para aquilatar devidamente o tesouro gastronómico que diariamente se recria na generosa cozinha. Toda a refeição aqui configura perdição gulosa, basta matar a fome inicial com focaccia, pão de massa-mãe e trigo de barbela, manteiga fumada, mel e caponata (4,90 euros). A esta combinação inaugural a casa chama couvert e é mais do que suficiente para preparar os sentidos para as etapas seguintes.

Impossível desdenhar o tesourinho que é o Parma e fior di latte fumado (7,40 euros), combinação simples e sápida de queijo fior di latte gratinado com salvia e presunto de Parma. Prende a alma contudo a imperdível proposta tártaro e tutano (21 euros), composta por 200 gramas de carne finamente picada no momento, misturada com especiarias e servida no tutano. Maravilha. Há uma selecção de charcutaria fina que a casa configura a gosto e por que vale a pena enveredar de cabeça, tudo genuíno e autêntico. O brilhante risoto de rabo de touro (17,90 euros), é tentação a que não se pode resistir e inclui uma genial terrina de rabo de touro em abóbora e picles de legumes. O lombo de robalo em risoto de lima (16,90 euros) é outra escolha possível, de execução primorosa. E por que não uma piza calzone (12,40 euros)? Feita ali à nossa frente, seduz pela simplicidade e é património gustativo italiano. Mozarela de búfala, tomate cereja e pesto de manjericão, piza fechada, inesquecível. Há que guardar espaço para o ímpar t-bone com corte à fiorentina (36 euros/kg) e que consiste de vão de novilho grelhado com osso, assim como para os caneloni doces (7,90 euros). Há que prometer voltar, muitas vezes. É perto!

A refeição ideal
Tártaro e tutano (21 euros)
Ravioli frito (6,90 euros)
Lombo de robalo em risoto de lima (16,90 euros)
Gnocchi de bacalhau (17,90 euros)
T-bone com corte à fiorentina (36 euros/kg)
Canneloni (7,90 euros)

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.