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Crítica de Fernando Melo ao restaurante Catraia, em Proença-a-Nova

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São vários os templos gastronómicos que nasceram em postos de abastecimento de combustíveis junto a estradas movimentadas, começando timidamente pelo petisco ligeiro a que depois se acrescentou cozinha estruturada e adaptada à horda de comensais que os foram colonizando.

A história deste lugar de muito bem comer em que nos encontramos enquadra-se na descrição mas foge à regra, por duas razões principais. Em primeiro lugar, a visão e investimento de Eduardo Rodrigues na sua terra, que chegou à plantação de uma vinha exemplar – Monte Barbo – no coração da Beira Baixa do seu coração, depois o regresso à terra natal de Adelino Martins, que volta de aprendizagem em cozinhas de inspiração francesa em que robusteceu vocação e saberes, sabendo que iria voltar. E voltou, encontrando em Eduardo Rodrigues mentor e empresário que sempre lhe deu liberdade para construir a oferta culinária a seu gosto.

Estamos perante o trabalho requintado de um cozinheiro que optou por manter a linha de registo da infância, sabores primordiais, produto directo e sem disfarces, e muito – muito – sabor. Nos pratos do dia acontece um desfile de realezas da grande tradição. Uma sopa de peixe (2 euros) de antologia, a absolutamente visceral e regionalíssima chanfana (8 euros) e os bem beirões bucho recheado (8,50 euros) e maranhos (8 euros) são as maravilhas das raízes do chef feliz de quem falamos. Ninguém lhes fica indiferente, e todos ficam bem satisfeitos, que as doses aqui são de truz. Impossível resistir à delicadeza e acerto de temperos da caldeirada de lulas (5,50 euros), que nos teletransporta para o pé do mar mais rico, vencendo os muitos montes e vales que sabemos estar de permeio.

Maravilhosa a vitela estufada (7,50 euros) que aqui se faz, técnica de grande gabarito a produzir textura que se desfaz na boca como a gente gosta, sabor como a gente gostava de saber fazer, e a fundamental evocação da infância que todos gostávamos de ter. Carla oficia com eficácia e familiaridade na sala e é pela sua sugestão que vamos no capítulo doceiro, para a doce terminação. Foi de grande iluminação a primeira vez que provei a copiosa merengada de limão (2 euros), acessível apenas a quem pratica e domina a alta pastelaria, merengue franco-suíço de incrível recorte técnico, absolutamente inesquecível. Partimos para voltar em breve, com o depósito atestado mas já ávidos do próximo abastecimento. Felizes que nem catraios.

A refeição ideal:
Sopa de peixe (2 euros)
Maranhos (8 euros)
Chanfana (8 euros)
Merengada de limão (2 euros)

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.