Depois do Manso, João Magalhães instalou-se duas ruas ao lado, ainda na zona do Pinheiro Manso, Porto, para abrir o Pata Gorda, um restaurante “para os locais”, despretensioso, com “comida gulosa, direta e sem preconceitos”, descreve o chef. A ele juntaram-se mais quatro sócios: Francisco Marinho, Ricardo Medina, Vasco Almeida e Jorge Azevedo (com quem já tinha partilhado o primeiro projeto). “O Manso foi o nosso laboratório. Começámos a fazer algumas experiências e a perceber que esta zona aderia mais à comida portuguesa. Por isso o nosso foco é a cozinha tradicional com um twist, mas sem as formalidades do ‘fine dining’. Até gostamos de falar em ‘fun dining’.”
O produto de qualidade é o ponto de partida para a elaboração da carta, que a sazonalidade põe em constante movimento. O fígado de cebolada, por exemplo, vem acompanhado de cogumelos silvestres, que estão a chegar ao final da época, impondo ao chef uma mudança: “Provavelmente vamos servir com espargos”, que começam agora a despontar.
Escritos a giz num quadro de ardósia que se apaga e preenche conforme as mutações da carta, um desfile de pratos de conforto cruza referências da gastronomia de todo o país. Há rabo de boi com milho frito, raia e Bulhão Pato, cabeça de xara, salada russa e sardinha, arroz de marisco. Há ainda um prato de carne e um de peixe, mais irrequietos que os restantes, que mudam consoante o que João encontra no talho e na peixaria. “Neste momento estamos a fazer rodovalho ao sal com açorda de ovas, e temos arranjado uma boa vazia maronesa, grelhada na brasa e servida com arroz de enchidos no forno”, informa.
A carta de vinhos segue o mesmo grau de rotatividade que a comida, mas com uma abordagem invulgar. O objetivo é dar a conhecer rótulos menos conhecidos, sejam nacionais ou internacionais. Pequenos produtores e pequenas produções são o fio condutor da seleção. “Temos desde o punk à música clássica em vinho”, resume Bernardo Providência, chefe de sala e sommelier. “Também trabalhamos muito com preciosidades em extinção, alguns brancos ou tintos velhos que já não existem no mercado e dos quais nós conseguimos uma caixa, e que depois desaparecem.”
À falta de mais pretextos para dar uma oportunidade às sugestões de Bernardo, o horário de abertura do restaurante, às 18 horas, é um convite explícito a ir beber um copo antes do jantar (o intuito é futuramente alargar ainda mais o horário e servir lanches). É esse ambiente relaxado e familiar que se quer no Pata Gorda. Um “fun dining”, pois claro.
Pata Gorda (Fotografia de Pedro Granadeiro/GI)
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