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Chef que vai cozinhar no Louvre assina a nova carta do Cícero, em Lisboa

(Fotografia: Fábio Pelinson)

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Quando questionada sobre a sua cozinha, Alessandra Montagne não hesita, adjetivando-a de “moderna, gostosa, colorida, sazonal e com desperdício zero”. O jogo de ricochete entre os sabores de conforto e a delicadeza nas técnicas é outra forma de descrever o que confeciona a chef brasileira. É natural do Rio de Janeiro e cresceu em Minas Gerais, mas mudou-se para Paris há mais de duas décadas. É na capital francesa, de resto, que tem dois restaurantes de sucesso, o Nosso (incluído nas recomendações do Guia Michelin 2024) e o Tempero, aos quais se juntará um terceiro espaço que vai liderar em breve, o novo restaurante que vai nascer no Museu do Louvre, um desafio que surge a convite de Alain Ducasse, um dos mais renomados chefs franceses.

A partir de agora, embarca num novo desafio, que culmina com a sua estreia em Portugal, assinando a nova carta do Cícero Bistrot, o restaurante-galeria que abriu há dois anos em Campo de Ourique, inspirado na vida e obra de Cícero Dias, o pintor brasileiro e nome-forte da corrente modernista. As paredes estão repletas de obras de arte, parte da coleção que Paulo Dalla Nora Macedo, cofundador, foi angariando ao longo dos últimos 30 anos. As mais de duas dezenas de quadros – sete da autoria de Cícero Dias – estão espalhadas por três salas, a Modernista, a Contemporânea e a Origem, e convivem com uma decoração que aposta no mobiliário vintage, numa garrafeira visível onde se lê Fernando Pessoa – com a frase “boa é a vida, mas melhor é o vinho” – e fotografias de várias figuras que já passaram pelo restaurante desde setembro de 2022, como Durão Barroso, Lula da Silva, António Costa, Carlos Moedas, Francisco Pedro Balsemão ou Joana Vasconcelos, por exemplo.

Alessandra Montagne é a nova chef do Cícero Bistrot. (Fotografias: Fábio Pelinson e DR)

Poitrine de porco confitada, jus de porco, aipo bola fumado e beterraba.

A chegada de Alessandra Montagne ao projeto vem trazer uma “cozinha mais gastronómica, mais elaborada e mais complexa” aos jantares do restaurante lisboeta, que agora está “mais intimista e imersivo” do que antes, explica o proprietário, já que a capacidade reduziu de 40 comensais para cerca de metade. Na cozinha aberta, a nova head chef do Cícero Bistrot, que conta com Ana Carolina Silva, coproprietária e cofundadora, como chef executiva, vai mostrando a nova carta, que junta inspirações portuguesas, brasileiras e francesas. Os novos pratos, de resto, podem ser pedido de forma isolada ou num menu de degustação, em forma de best of (inclui amuse bouche, pré-entrada, duas entradas, prato principal e sobremesa, por 95 euros, sem bebidas).

Para o arranque, oscila-se entre clássicos e reinterpretações, como os dadinhos de tapioca, a coxinha de galinha, o pão de queijo com caviar e o pastel de nata de couve-flor. Nas entradas, destaque para a cenoura, “cozinhada como se fosse uma carne”, explica a chef, e acompanhada de um creme aveludado da mesma com bottarga (24 euros), aqui a dar um toque salgado; a mousse de cogumelos e sarraceno (22 euros), bastante outonal, com notas fumadas, que chega à mesa na mesma altura do brioche de Alessandra, seguindo a mesma receita da sua avó; e o polvo com chouriço (26 euros).

Carabineiro e sua bisque com risoto de cevada e abóbora.

Bacalhau e couve com beurre blanc de champagne e arroz negro.

Para pratos principais, escolhe-se entre o bacalhau e couve com beurre blanc de champanhe e arroz negro (42 euros); o carabineiro e a sua bisque com risoto de cevada, abóbora e picle da mesma e ainda camarão (58 euros); a poitrine de porco confitada com jus de porco, puré de aipo fumado e mini beterraba (42 euros); ou o mignon bovino com picle de cebola roxa e molho trufado com polenta (48 euros), tudo propostas para alimentar os dias que se vão tornando mais frios. Para as despedidas, as sobremesas apostam no figo preservado em vinho do Porto, acompanhado de sorbet do mesmo fruto; no creme de chocolate com fava tonka e praliné de avelã; ou na variação de limão com formas geométricas Cícero Dias, inspirada nas cores e linhas dos quadros do pintor modernista, que, curiosamente, fez o mesmo percurso de vida que Alessandra, tendo vivido em França quase toda a sua vida. Para harmonizar, a garrafeira acolhe mais de seis dezenas de vinhos, a grande maioria nacionais, à exceção da seleção de champanhes.

O restaurante tem cerca de 30 quadros espalhados pelas paredes.

Creme de chocolate com fava tonka e praliné de avelã.

A chef carioca, que vai conciliar os negócios em Paris com a assinatura das cartas do Cícero Bistrot, explica: “Estar aqui deixa-me muito feliz. Lisboa é o Brasil mais perto! Sinto-me em casa e é uma enorme honra fazer parte do Cícero, um artista que me inspirou na criação deste menu que espero que seja muito apreciado por todos”. Já o cofundador do restaurante, Paulo Macedo adianta: “Hoje Lisboa, como Paris, é uma janela para o mundo que permite apresentar conceitos para milhares de pessoas de várias nacionalidades. O nosso é a força da arte modernista e contemporânea brasileira em diálogo com uma cozinha com alma, como a de Alessandra”.

O restaurante abriu há dois anos em Campo de Ourique.

Ana Carolina Silva, chef executiva e coproprietária; Alessandra Montagne, head chef; e Paulo Dalla Nora Macedo, coproprietário do espaço.

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