O primeiro andar de um antigo armazém de vinhos, com uma vista panorâmica sobre o rio Douro e a ponte do Pinhão, é o luminoso lugar do Bomfim 1896, o novo (e segundo) restaurante do chef Pedro Lemos, em parceria com a família Symington. Fica na Quinta do Bomfim, casa do Porto Dow’s, e o espaço evoca o aconchego e elegância campestre da sala de estar de uma casa senhorial vinhateira.
Na entrada, o cliente é acolhido por uma zona de estar com sofás, lareira e a vista dos socalcos de vinhas e do rio a tornar-se omnipresente, graças à parede composta por janelas – que podem ser abertas, prolongando a sala para a esplanada. Sobressai depois a cozinha aberta que permite ver o labor da equipa em redor dos quatro pontos de fogo a lenha.
Passam por esse lume, seja do forno a lenha ou das brasas, todos os pratos que chegam à mesa, inspirados na cozinha tradicional da região, tendo produtos locais como principal recurso. A abordagem é, porém, mais contemporânea do que a da Casa dos Ecos, o restaurante temporário dedicado à cozinha tradional duriense, que funcionou também ali no Bomfim durante os verões de 2020 e 2021.
O chef, que gere um restaurante com o seu nome, no Porto (detentor de uma estrela Michelin), tem andado em constantes viagens entre o Douro vinhateiro e a Foz para estar presente no novo Bomfim 1896, que abriu há pouco menos de um mês. Por coincidência, poucos dias depois, Pedro Lemos foi distinguido com o galardão de Melhor Chef na primeira edição do Prémio Nacional de Enoturismo (organizado pela associação nacional do setor) pelo projeto Casa dos Ecos.
A intenção do chef e da família Symington é reabrir a Casa dos Ecos logo que possível, consolidando a oferta naqueles dois espaços – ambos embaixadores da cozinha duriense, com um a fazê-lo de forma mais tradicional e rústica, e o outro com sofisticação e uma carta em tom mais contemporâneo. “É como se a Casa dos Ecos fosse a casa do caseiro e aqui [no Bomfim 1896] a casa da família”, refere Pedro Lemos. Sobretudo, “a ideia é que as pessoas venham ao Douro e tenham esta experiência”, assinala.
Na carta, que inclui opções vegetarianas, está patente uma ligação aos produtores, das hortícolas à carne e, como seria de esperar, aos vinhos. A garrafeira e as sugestões da sala privilegiam os vinhos de mesa e do Porto das casas Symington, mas existem referências q.b. de outras regiões.
A carne provém quase toda da região do Douro (e alguma do Minho), caso do cordeiro de leite assado servido com bulgur; ou ainda o novilho, guarnecido com puré de batata e legumes braseados. Das lotas nacionais chega o peixe do dia, servido braseado com bivalves e lulas, numa intensa caldeirada. Ou ainda o marisco para o arroz de lavagante. Nas sobremesas, há delicadas criações, como o mil-folhas com creme fumado e caramelo salgado. É um lugar para ir com tempo, para um almoço demorado e uma visita às vinhas.
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