A cervejaria Fininho, na antes muito movimentada Mouzinho da Silveira, era para abrir em março, mas já não o conseguiu fazer antes do estado de emergência. À primeira oportunidade, depois de adaptada às novas normas de higiene e segurança devido à pandemia de covid-19, abriram-se as portas do espaço, que conta com uma agradável esplanada.
É nela que muitos dos primeiros clientes provam, desde dia 1 de junho, as francesinhas do Fininho, os bifes, o arroz de marisco, as amêijoas à bulhão pato, e outros petiscos típicos de uma cervejaria portuense. “Mas também usam o interior, com duas salas”, diz Teresa Bianchi, que está à frente deste projeto, que conta com sete casas irmãs, todas em Angola.
Isto porque, conta a empresária (que está nesta área há décadas e trabalhou, por exemplo, com Vasco Mourão), a sua irmã Inês vive lá há vários anos e quando Teresa a visitou, ficou com vontade de abrir uma cervejaria. A primeira inaugurou em 2009, em Benguela. Entretanto, esta fechou, mas o negócio aumentou e conta já com sete espaços em Luanda. E como é que os angolanos receberam por lá a famosa francesinha? “No início, estranharam, mas agora adoram. Pedem é sempre mais jindungo para o molho”, diz.
Esta é a primeira casa fora de Angola. “Apesar de Lisboa ser uma cidade mais apetecível por causa do turismo, fazia mais sentido começar pelo Porto”, afirma. E porque a cervejaria é inspirada na cidade, o que percebe tanto pela francesinha como pelo nome, que remete para a forma nortenha de nomear um copo de cerveja. E cerveja não falta, à pressão, a Nortada, e em garrafa, para já em formato mini, a angolana Cuca. “Em breve, vamos ter também Cuca em lata e a Nocal”, outro clássico daquele país.
Numa Baixa ainda longe do que era, o Fininho quer fazer o seu percurso “um dia de cada vez e com consciência”, diz Teresa. “Antes disto acontecer, estava, de facto, no melhor sítio da cidade. Hoje, já não é porque os portuenses desistiram da Baixa. E eu compreendo”. Teresa considera que chamar público vai dar mais trabalho, mas esta situação tem as suas vantagens. “Os espaços têm agora mais tempo para criar relações de fidelização”. É assim que se faz uma casa.
Decoração original
As paredes da Fininho estão revestidas com painéis de azulejos pintados à mão, de Telmo Pereira. À entrada, vê-se um mural de máscaras tribais angolanas. Depois, uma pintura alusiva a Rainha Ginga, que no século XVII se revoltou contra o domínio português. Na sala do fundo está uma série de esculturas que representam a diversidade de fisionomias humanas, trabalho de Lucienne Cruz.
Rua Mouzinho da Silveira, 230 (Baixa)
Tel.: 963370502; 222083785
Web: facebook.com/cervejaria.fininho
Das 9h às 23h. Encerra ao domingo.
Preço médio: 15 euros