Em maio do ano passado, Rui Pais viajou até à Polónia num misto de lazer e trabalho. Responsável pela Oqopo – Qualidade Original de Portugal, uma empresa do ramo alimentar, aproveitou para visitar clientes e experimentar um bolo específico em Cracóvia, aconselhado pela filha, Laura. Sem dar por isso, estava a lançar as bases de um novo negócio: gostou dos kürtőskalács, também apelidados de bolos chaminé, e decidiu abrir uma loja centrada neles, em Coimbra.
O passo seguinte foi aprender como se faziam aqueles bolos originários da Transilvânia, na Roménia, e presença forte noutros países do leste europeu, como explica. “Em junho, já estava outra vez na Polónia, a fazer formação.” E em outubro inaugurou o espaço A Leste, no Quebra Costas. “Ser na zona histórica era fundamental”, defende, porque o produto-estrela “presta-se muito ao passeio, é pegar e levar”. Mesmo o café é vendido nesse registo. Não há louça nem lugares sentados, optando alguns clientes por se acomodar lá fora, nas famosas escadas que conduzem à Alta universitária.
O bolo chaminé tem forma de cilindro (ou cone, caso leve gelado) e é oco. “A massa é feita aqui, ao longo do dia”, num processo que acontece à vista de quem entra e termina no forno, explica Rui. Num primeiro contacto, a preparação gera alguma curiosidade, assim como o produto final, que se vai desenrolando qual serpentina. Ao mais tradicional, com açúcar e canela, juntam-se várias adaptações. Escolhe-se diferentes sabores e texturas, recheios que vão dos fios de ovos aos brigadeiros.
A loja fica no Quebra Costas, que liga a Baixa e a Alta da cidade.
(Fotografia de Maria João Gala/Global Imagens)
Além da versão simples, há os bolos chaminé cremosos (barrados com creme); os crocantes (com creme e frutos secos); os portugueses (com ovos-moles ou pastel de nata); e ainda os gelados e os salgados. Também vão saindo edições especiais, a mais recente com manteiga de amendoim. Um pretexto para ir passando naquela morada, onde funcionou a loja de discos Quebra Orelha, de Afonso Macedo, DJ e radialista falecido no verão passado, a quem se presta homenagem. “O Afonso estará para sempre connosco, fazendo-nos sonhar e dançar”, lê-se numa das paredes.
Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.