Ao fundo de uma estrada de gravilha, no limiar do Parque Natural Sintra-Cascais, surge a ponta do edifício do DREAM GUINCHO, um recente alojamento situado entre o mar do Guincho e a serra de Sintra, no concelho de Malveira da Serra. Rosário Pinto Correia, responsável pelo projeto e residente permanente, dirá logo de seguida que é a materialização do “sonho de uma vida”.
Ligada ao ensino e à gestão, Rosário sempre viajou muito e com os anos foi acalentando a ideia, também incentivada pelos amigos, de ter um hotel próprio – ou uma casa de campo, como gosta de lhe chamar. E de facto é ali que vive, numa casa anexa ao hotel desenhado pelo arquiteto António Castello Branco com inspiração nos chalés nórdicos, em madeira e com telhados bicudos.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
O ambiente funde a familiaridade de uma casa particular com o conforto hoteleiro, não só por Rosário assegurar as múltiplas funções da hospitalidade, desde o check-in à cozinha, mas também graças à decoração. O desenho de interiores coube à Fusion Interior Design, mas teve muito a mão da proprietária, que cedeu móveis e objetos próprios, como antiguidades, peças de arte e livros.
Na grande e luminosa sala de estar do piso inferior multiplicam-se os sofás com almofadas de padrões, há uma lareira moderna pronta a aquecer os dias frios e muitos livros à espera de leitores. Os livros, na verdade, preenchem as estantes, os degraus das escadas e surgem suspensos no teto da sala de refeições, assim como à porta de cada um dos oito quartos. Folhas e piteiras secas decoram as paredes.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
No piso de cima os hóspedes podem conviver numa sala com piano e mesa de bilhar, ou somente apreciar as obras do pintor Carlos Vasconcellos Cruz. Usufruindo do espaço, podem também servir-se de bebidas em dois “honesty bar”, liquidando os consumos no check-out. Munidos de um copo de vinho ou de um whiskey, basta puxar de um livro e ficar a ler no quarto, nas zonas comuns ou nos sofás do jardim.
Os quartos foram batizados com os nomes de oito obras literárias de oito países: Romance de Genji (Japão), O Grande Gatsby (EUA), Dom Quixote (Espanha), Anna Karenine (Rússia), A Menina do Mar (Portugal), O Principezinho (França), A Divina Comédia (Itália) e O Arco-Íris do Instante (Síria). Em comum, têm uma decoração contemporânea, amenidades Castelbel e varandas com vista para o mar.
O jardim exterior tem uma piscina com espreguiçadeiras rodeadas de zambujeiros e, quando o bom tempo permite, acolhe também os pequenos-almoços, feitos com produtos frescos e sazonais tanto quanto possível. Como não existe restaurante, os hóspedes devem reservar com antecedência o almoço ou jantar, que são muitas vezes preparados por Rosário com receitas de cozinha da avó.
A história de Nuande Pekel é diferente. A procura pelas melhores ondas para surfar fê-lo viajar pelo Peru, Equador, Havai e Indonésia até decidir arrumar a prancha. Na sua faceta profissional como chef, aprendeu as bases da cozinha francesa e mediterrânica, mas foi sobre a cozinha asiática e de fusão que lançou âncora, aventurando-se no sushi e noutros pratos que os surfistas comem diariamente.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
Depois de apostar no Moa Sushi, que já conta com moradas em Cascais e na Parede, lançou o MAÎDE, também com Madalena Sousa Coutinho como sócia, numa zona residencial de Cascais. O ambiente do espaço, marcado por madeiras exóticas e jardins verticais, casa na perfeição com a proposta de “all day exotic food”, isto é, comida exótica disponível a qualquer hora entre as 09h30 e as 22h30.
Tacos de camarão com molho de soja, tártaro de atum com abacate e ovo de codorniz, pad thai de camarão com legumes, nasi goreng e caril seco de novilho com arroz são alguns dos pratos que refletem as influências internacionais da cozinha do chef Pekel. Mais próximo do mar e do centro da vila de Cascais, na Praia da Conceição, encontra-se um espaço amigo das famílias e aberto todo o ano.
André Simões de Almeida, responsável pelo japonês Kappo (também em Cascais) transformou um antigo bar por baixo do acesso pedonal à praia num restaurante aberto todo o ano, e juntou-lhe serviços vocacionados para várias idades. Assim nasceu o EMMA, que tanto convida a almoçar, petiscar e jantar, como a praticar beach tennis e stand up paddle ou ioga em prancha. Ao lado funciona também uma loja da Quiksilver.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
Às mesas do restaurante, entretanto adaptado para garantir conforto nos dias frios, chegam pratos quentes como sopa de robalo, camarão, mexilhão e ameijoa; carré de borrego com chips; lombo frito com cogumelos salteados e gratin de batata; e bacalhau confitado com baunilha, batata a murro, espinafres salteados e azeite de coentros, entre muitos outros. Também há pratos vegetarianos, para que todos se sintam incluídos.
A mais recente novidade chama-se EMMA BURGUER e aposta numa coleção de quatro hambúrgueres e quatro croquetes (açorda de camarão, espinafres, amêijoa à Bulhão Pato e de novilho), disponíveis para take-away e para encomenda através das principais plataformas de delivery.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
Numa outra zona residencial de Cascais – na freguesia de Alcabideche -, os adeptos da cozinha japonesa encontram o novo HIROO SUSHI, cujo nome remete para o soldado japonês Hiroo Onoda, que em 1944 – em plena Segunda Guerra Mundial – foi enviado pelo Exército Imperial Japonês para a ilha de Lubang, nas Filipinas, com a missão de “manter-se vivo” e dificultar eventuais ataques inimigos. A ilha foi recuperada pelos aliados um ano depois, mas o soldado, escondido entretanto nas montanhas, recusou acreditar no fim do conflito e só foi desmobilizado pelo exército em 1974. Este restaurante é a mais recente aposta do intrépido empresário Giscard Muller.
Da antiga casa de grelhados que ali funcionou já só resta a espécie de telheiro que cobre a cozinha e o balcão de sushi: é ali que Marcus Tamari, de São Paulo, e Leandro Araújo, de Minas Gerais, procedem ao corte do peixe e montagem das peças que são enviadas para a mesa. A refeição bem pode começar com uns tacos de salmão com molho kimuchi e abacate, e seguir para um usuzukuri (uma espécie de carpaccio) de robalo, salmão e atum com molho trufado e ovas tobiko.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
A frescura do peixe – também trabalham com dourada, lírio, pampo, carapau, cavala e charuteiro – é notória e concorre para o sabor e textura de cada peça, sendo de destacar os gunkan de robalo com ovo de codorniz, trufa e flor de sal e de atum com foie gras. Todos estes pratos estão incluídos no menu do chef a 19,90 euros por pessoa, representando uma maneira cómoda e económica de ficar a conhecer a variedade do Hiroo Sushi, um dos muitos novos restaurantes que têm dinamizado a oferta cascalense.
Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.
Roteiro originalmente publicado na edição de dia 24 de dezembro de 2021 da revista Evasões.
