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Alcobaça, Caldas da Rainha, Peniche e Óbidos: o que está a mexer no Oeste

A vila medieval de Óbidos é uma das mais pitorescas e bem preservadas de Portugal. (Fotografia de Maria João Gala/GI).

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Poucas regiões do país hão de ser capazes de concentrar tanta diversidade como aquela franja do distrito de Leiria, a oeste. Não é só o interesse histórico, os monumentos, a doçaria conventual. É a natureza, também, no seu máximo
esplendor, que oferece praias como a do Vale Furado ou São Martinho do Porto (Alcobaça), a Foz do Arelho (Caldas da Rainha), Baleal e Supertubos (Peniche), ou a mítica Lagoa de Óbidos. Passear em terra ou no mar é um deleite para quem escolhe aquela região, por onde a Evasões já andou muitas vezes. Mas concentremo-nos hoje nesse lado urbano de cada uma delas, saboreando maçãs de Alcobaça ou Pera Rocha do Bombarral, Ginja de Óbidos ou Esses de Peniche.

Alcobaça.

Imergir na cidade significa fazer o percurso camoniano de Pedro & Inês, que nasce de uma interpretação do episódio de Inês de Castro n’ Os Lusíadas, a partir de dez peças típicas das cerâmicas de Alcobaça, cada uma delas a cargo de uma indústria. No seu conjunto, as fábricas (que fizeram de Alcobaça um território de expressão cerâmica artística a partir do século XIX) traduzem naquele percurso à beira-rio o universo literário e simbólico do amor proibido de D. Pedro I e Inês de Castro, figuras imortalizadas no Mosteiro de Alcobaça, património da Humanidade.

Dali chega-se num instante ao Jardim do Amor. Numa parede que separa o rio Baça daquele recanto, há pequenos cofres que guardam mensagens de amor. Os kits podem ser adquiridos no comércio local, e assim fazer crescer aquela torrente dos namorados, ladeada também ela por originais peças da louça de Alcobaça. Muitas
fábricas fecharam nos últimos anos, mas outras continuam a produzir e a exportar.

O Mosteiro de Alcobaça. (Fotografia de Maria João Gala/GI).

A cidade é um hino à arte Deco. Por toda a parte há edifícios – públicos e privados – que a ostentam. À conta da pandemia, no outono passado a cidade já não se engalanou para receber a Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais. momento especial na vida daquelas ruas históricas, por onde correm memórias de outros tempos e
onde é possível saborear o ano inteiro a doçaria que os monges de Cister e as monjas de Cós deixaram, de frente para um dos mais belos monumentos portugueses – o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, elevado a património mundial da Unesco em 1983, uma das primeiras fundações monásticas cistercienses em território português.

Caldas da Rainha.

Valeria a pena ir às Caldas só pela experiência de atravessar o Parque D. Carlos I, ou mergulhar no universo de Rafael Bordallo Pinheiro. Viajar pela cidade é um exercício de regresso ao passado, mas também de descoberta. E por isso, talvez a melhor forma seja começar pela rota Bordaliana, um percurso cultural e artístico com
mais de 20 figuras de cerâmica, construídas à escala humana. Lá estão o Zé Povinho, o padre Cura, a saloia, as rãs, sardões e caracóis, mais as folhas de couve em tom de “verde-caldas”, como lhe chamam por ali. Na verdade, há paredes revestidas em azulejo que reproduzem fielmente a cor vibrante. Noutro tom de verde, o parque D. Carlos I acolhe, também ele, uma natural paleta de cores únicas: a terracota do chão, o lago, os patos, os pavões que se passeiam nos terraços da cidade, voam até aos beirais dos prédios antigos e dali observam todo o movimento.

O parque encerra todo o naturalismo e romantismo com que o arquiteto Rodrigo Berquó o desenhou, nos finais do século XIX. É uma espécie de floresta encantada no meio da cidade, ligando-a, sob um “céu de vidro” ao Hospital Termal, pioneiro no mundo a “curar certas maleitas”. Foi assim, através das “águas mornas e com caraterísticas especiais” que a rainha D. Leonor descobriu a terra onde a realeza e a fidalguia haveriam de encontrar um porto de abrigo no século XIX.

 

Peniche.

Poderíamos viver só de caldeirada de peixe ou mariscadas nos bares de praia, mas a cidade é muito mais do que isso. Quem chega delicia-se com o porto de pesca, com a história do Forte, com os episódios que se contam por toda a parte sobre as fugas dos presos políticos, nos tempos da ditadura, em que foi transformado na mais temida prisão doregime. Não há como escapar à sensação de ouvir Amália, nos versos de Alan Oulman e na música de David Mourão Ferreira: “ao menos ouves o vento, ao menos ouves o mar”. Transformado em Museu da Resistência e Liberdade, o Forte é um dos pontos de interesse imperdíveis. Mas há também o Cabo Carvoeiro, a Berlenga, ou tão só o aglomerado de casas dos pescadores, que as pintavam de várias cores para melhor as avistarem do mar. Há a naudos corvos. Há a renda de bilros e o deleite de ver fazê-la, ao vivo, no museu municipal.

Óbidos.

Até a pandemia se abater sobre o mundo, a vila medieval era um dos destinos preferidos do turismo em Portugal. Percorrer a rua direita até ao castelo é como entrar num conto de fadas. Há livrarias, igrejas, galerias, esplanadas que convidam a paragens aqui e ali, restaurantes e bares dedicados a acolher quem fica exausto de tanto encontro com a história. Logo que as condições sanitárias o permitirem há de regressar o rol de eventos que faz de Óbidos um dos polos culturais mais atrativos do país: o Fólio, festival literário, o festival do chocolate ou a feira medieval são alguns exemplos.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)

 

+ Onde comer

António Padeiro (Alcobaça)
O espaço encerra mais de 80 anos de história(s), que Ana Branco (neta do fundador, António Padeiro) está sempre pronta a contar. É ela quemestá agora ai leme do barco, num mar de cozinha tradicional portuguesa. Das mãos de Maria Júlia (a mãe), saem maravilhas como a açorda de Bacalhau, o frango na púcara, o cabrito assado no forno ou os (divinais) rissóis de robalo e camarão. Depois é preciso arranjar espaço para experimentar algumas sobremesas especiais da casa, numa inevitável homenagem aos doces conventuais de Alcobaça.

+ Onde dormir

19 Tile Boutique House (Caldas da Rainha)
Fica nas Caldas da Rainha a boutique house e é toda ela dedicada à cerâmica, começando em Bordalo Pinheiro e passando pelos cerca de 50 ateliers de ceramistas atualmente espalhados pela cidade. Cada quarto consagra um artista contemporâneo, dando a conhecer o seu trabalho. Na ampla sala do pequeno-almoço os hóspedes têm por companhia peças especiais. Uma delas é um conjunto de melros num galho de árvore (em cerâmica, claro), concebido pelo Laboratório D’Estórias.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)

 

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