O concelho de Câmara de Lobos é morada de 35 mil madeirenses, mas vista da sua pitoresca enseada, a cidade parece uma aldeia piscatória – e sempre em festa, ou não tivesse as ruas permanentemente engalanadas. Em matéria de arte urbana, salta logo à vista o novo mural que Bordallo II criou numa parede de betão do porto de pesca, em honra do lobo marinho, espécie que antigamente se avistava com frequência naquelas águas.
Foi justamente pelo mar que os descobridores chegaram à ilha, entre eles João Gonçalves Zarco, que ali mandou erguer a Capela de Nossa Senhora da Conceição em 1420. Câmara de Lobos seria, então, a primeira povoação criada na Madeira, pelo próprio, e tornar-se-ia freguesia em 1430. Dando um salto gigante para o século XX, percebe-se a notoriedade que a localidade ganhou entretanto, depois de Winston Churchill a pintar de forma excecional.
No dia 8 de janeiro de 1950, o antigo primeiro-ministro inglês – hospedado no Funchal a convite do Reid’s Palace – deslocou-se a Câmara de Lobos num Rolls Royce, montou um cavalete e uma tela à entrada da vila e pintou a baía e o ilhéu. Em boa hora o fotógrafo Raul Perestrelo captou o momento, e daí para a frente, o local da pintura passou a chamar-se Miradouro Winston Churchill.
No retrato saltavam à vista os coloridos barcos de pesca – chamados xavelhas -, os mesmos em que os pescadores ainda hoje saem para o mar à procura de peixe-espada preto e outras espécies, como a pota, o pargo e a garoupa. Fernando Abreu, figura proeminente na comunidade local, confessa que “o mar é terrível” e já lhe pregou alguns sustos, mas continua a dar-lhe alegrias e sustento. O filho, também Fernando, não lhe seguiu as pisadas mas é um embaixador da cultura de Câmara de Lobos em Lisboa, onde reside e trabalha.
(Fotografia de Rita Chantre/GI)
Nas ruas do centro fundem-se cada vez mais ambientes, marcados pelo jargão popular dos pescadores e pelos sotaques dos turistas nacionais e estrangeiros. E respira-se arte urbana em toda a parte. Candeeiros feitos de bidões de plástico e alforrecas gigantes são algumas das criações que agora se podem admirar, resultado das várias missões ambientais e artísticas que a associação Teatro Metaphora, ali sediada, tem desenvolvido com a comunidade.
Dormir no novo Pestana Fisherman Village
O grupo Pestana inaugurou este mês o Pestana Fisherman Village, o seu segundo hotel de quatro estrelas na baía de Câmara de Lobos (depois do Pestana Churchill Bay, aberto em junho de 2019). Equipado com 42 quartos, piscina exterior panorâmica, bar e um pátio com espelho de água – tudo em dois edifícios, com biblioteca e claustro – o hotel presta “homenagem” aos pescadores locais com uma decoração inspirada no universo de “O Velho e o Mar”, publicado por Ernest Hemingway em 1952. Com esta unidade, o grupo Pestana passa a ter uma operação de 100 quartos em Câmara de Lobos.
Novo museu
Num dos edifícios recuperados pela obra do hotel irá nascer o Centro Interpretativo da Pesca e do Pescador, com o objetivo de valorizar esta atividade económica, uma das mais importantes do concelho, a par da agricultura e da indústria.
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