Vítor Adão, de 33 anos e natural de Chaves (Vila Real), é o protagonista do novo programa de gastronomia do canal Casa e Cozinha. De milhares de quilómetros à procura de histórias de pessoas, receitas, produtos e ingredientes resultaram 70 receitas feitas com fogo, e que os espectadores poderão replicar em casa, diz o chef do Plano e Planto, ambos em Lisboa.
O que se pode esperar de “Raízes”?
A base de cada programa é sempre eu ir em itinerância a várias localidades, numa lógica descentralizada. Passámos por Paços de Ferreira, Serpa, Miranda do Douro, Caldas da Rainha, Alcoutim, Leiria, Boticas, Guarda, Benavente e Campo Maior, uma por episódio, e em todas elas fui à procura de produtos, receitas e ingredientes. Nos 10 episódios fiz quase 70 receitas, de entradas, petiscos, pratos principais e sobremesas. Coisas muito simples.
Como foi cozinhá-las com o fogo?
O grelhador ofyr foi a peça central e serviu para fazer milhares de coisas. Já quando estava no Sublime Comporta o usava, depois também quando fui para o Six Senses Douro Valley e quando abri o Plano. O fogo é mágico e requer constante sintonia, sensibilidade e minúcia. Tanto pode estar a funcionar maravilhosamente como de repente baixar a temperatura ou o contrário, queimar o prato. De futuro, quero explorar ainda mais as várias potencialidades.
(Fotografia: DR)
O que o marcou mais em cada localidade?
O que me deu mais gozo fazer foi Campo Maior. Andei à procura de receitas antigas, a ver como trabalhavam na zona raiana, o porquê de utilizarem o grão-de-bico, fui à caça da lebre com galgos e no final fui também pescar. Guarda foi o que me tocou mais emocionalmente, enquanto em Miranda do Douro e Boticas senti-me mais em casa. O mais bonito foi Caldas da Rainha e o mais desafiante foi Alcoutim. E Paços de Ferreira marcou-me pelos jovens.
Não se fala apenas de cozinha, portanto.
Andei à procura de receitas antigas, de produtos e do saber-fazer dos produtores, mas não cozinhei apenas. Para o primeiro episódio, por exemplo, fui aprender a fazer barro com um artesão, visitei um produtor de microlegumes e um pescador, e no final fiz uma caldeirada de caranguejo do rio. A ideia foi fazer receitas simples que as pessoas podem reproduzir.
(Fotografia: DR)