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Um percurso pela história da música e do património de Coimbra

O percurso pelos órgãos de tubos de Coimbra passa pela Igreja de Santa Cruz, entre outras. (Fotografia de Maria João Gala/GI)

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Foi em 2017 que o Coro Carlos Seixas, nome que homenageia aquele que foi um dos maiores compositores e organistas do século XVIII, iniciou périplos pelos órgãos de tubos de Coimbra. “A periodicidade era bienal e visitávamos quatro órgãos”, lembra Fátima Sombreireiro, membro do coro, que vai acompanhar a visita guiada que este ano integra a programação paralela do Ciclo Concertos de Coimbra (com concertos até 8 de maio).

Será nos dias 28 e 29 de maio que Paulo Bernardino, o organista titular da Universidade de Coimbra, compositor e maestro, vai orientar as visitas juntamente com Alice Luxo, intérprete de património. A ideia deste périplo é “promover o património e a cultura organística”, adianta o músico. Em Coimbra, há atualmente quatro órgãos a funcionar e cerca de 40 não estão ativos.

Nesta cidade, é possível contar a história da organologia portuguesa, desde a sua fundação. “Até ao Renascimento, os órgãos eram iguais em toda a europa. Só a partir do século XVI começa a diversificar. E nós – Portugal e Espanha – temos os órgãos ibéricos que têm características próprias”, conta Paulo.

O percurso está este ano reduzido a três órgãos: o da Igreja de Santa Cruz, o da Capela da Universidade de Coimbra e o da Sé Nova. O do Seminário Maior, que costumava fazer parte do percurso, não está atualmente visitável devido a obras. Em cada espaço, Paulo Bernardino tocará uma pequena peça, acompanhado pelo Coro Carlos Seixas.

A Igreja de Santa Cruz, em Coimbra. (Fotografia de Maria João Gala/GI)


Périplo: Órgãos de Coimbra à Luz da Cultura Europeia

28 e 29 maio de 2022
Das 14h30 às 17h
Igreja de Santa Cruz
Praça 8 de Maio
Máximo de pessoas por sessão: 50
Preço: 2 euros
Mais informações: cicloconcertoscoimbra.com


A visitar

Órgão da Igreja de Santa Cruz
O Mosteiro de Santa Cruz foi “a grande escola de música do país”, conta Alice Luxo, tendo sido também a partir daqui que nasceu a universidade. “O órgão de tubos é o segundo a nível nacional, do século XII, o mais antigo está em Évora”, diz Paulo. Na verdade, não necessariamente este, pois ao longo do tempo houve intervenções, acrescentos, este aqui conheceu cinco ou seis versões diferentes.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)


Órgão da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra
Apesar de pequena, não é modesta esta capela da Universidade de Coimbra. Construída em para substituir uma capela do século XII, a partir do século XVI até XVIII. O instrumento foi construído de uma vez exatamente para ali, em 1733, monge beneditino D. Manuel de São Bento. A capela tinha um instrumento mais antigo que não estava em bom estado. Todo o órgão reflete o absolutismo da corte de D. João V, parece ser demasiado grande para o espaço em que se insere e é encimado pelo brasão de armas de Portugal, em vez de ser pela cruz.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)


Órgão da Sé Nova
A Sé Nova começou por ser um Colégio Jesuíta, construído ao longo do século XVII. Em 1759, o Marquês de Pombal expulsou esta ordem religiosa e em 1772 a Sé mudou-se para a igreja do colégio. Então, no século XVIII, foram instalados dois órgãos já existentes – um pequeno, outro maior, na posição que ainda hoje se encontram. Apesar de as duas fachadas cumprirem a simetria barroca, de um lado está o órgão grande e do outro o pequeno, que foi há muito desativado. O órgão foi recuperado no século XIX. Curiosa é a sala dos foles, necessários para manter o ar a percorrer os tubos. “Este tem cinco foles, normalmente são dois. Hoje trabalham a eletricidade mas na época eram movidos pelos chamados foleiros”, conta Paulo Bernardino.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)