Quantas raças de ovelhas há em Portugal? Como se converte a lã em mantas, carpetes, malhas ou fazendas? Que máquinas eram usadas no processo industrial? As respostas a estas e outras perguntas estão no Museu Industrial e Artesanal do Têxtil (MIAT), em Mira de Aire, Porto de Mós. O espaço abriu portas, há praticamente dois anos, por iniciativa do empresário local José Paulo Baptista, que o dirige. Queria homenagear as gerações que tornaram Mira de Aire e Minde, ali ao lado, num dos maiores pólos da indústria têxtil portuguesa, ao longo do século XX.
- A história da antiga Tapetes Vitória perdura entre estas paredes. (Fotografias de Pedro Cerqueira/DR)
Com a crise que atingiu o setor, muitas fábricas fecharam, entre elas a Tapetes D. Fuas, criada em 1924 e mais tarde rebatizada Tapetes Vitória. Foi num antigo edifício dessa fábrica que José Paulo Batista instalou o MIAT, não por acaso. Existe uma ligação familiar àquela casa: na sua fundação participaram o avô António Dias Baptista e o bisavô José Dias Baptista. Tratou, pois, de adquirir o espaço, que recuperou, em respeito pela traça original, e recheou com a sua própria coleção de maquinaria, equipamentos e demais peças ligadas ao mundo têxtil. Foi o concretizar de um sonho. E o seu contributo para a salvaguarda do património industrial da região e dos conhecimentos que lhe estão associados.
- Tesouras de tosquia e de alfaiate estão entre os objetos expostos. (Fotografias de Pedro Cerqueira/DR)
Naquele edifício de dois andares, os visitantes aprendem sobre o processo de transformação da lã, tosquiadas as ovelhas – da lavagem à cardação, passando pela fiação, pela tinturaria e pela tecelagem. Também ficam a conhecer as características da lã, os diferentes tipos de tecido e várias curiosidades – por exemplo, depois de lavada, a lã perde metade do peso. Pelo caminho, contactam com objetos tão diferentes como tesouras de tosquia ou de alfaiate, fusos e rocas para fiar à mão, carpetes da fábrica Tapetes Vitória, fotografias, teares manuais, máquinas e peças de tapeçaria. O museu preserva memórias sem perder a ligação à atualidade; pontualmente, acolhe exposições e workshops, e tem uma loja que parece dar forma a todos aqueles saberes.

Há diferentes teares manuais em exposição.
(Fotografia de Pedro Cerqueira/DR)
