Há uma estrada que corta a freguesia a meio e que segue em direção ao mar. Junto às rochas, uma pequena rotunda e uma capela dedicada a São João Batista e a Nossa Senhora da Aparecida que só abre em ocasiões especiais. Depois, é escolher. Paramos tem praia à esquerda e praia à direita, areal separado pelo Atlântico que bate nas pedras. O tempo corre devagar como convém quando não há horas marcadas e as ondas que se desmancham na areia são o barulho de fundo de dias de verão longos e descomprometidos.

(Fotografia de Leonel de Castro)
Em cima das rochas, há quem tente a sua sorte, um homem lança a cana para pescar à linha e espera para ver o que acontece. Paramos é um pequeno lugar, bairro de pescadores, gente que se habituou a conviver e a viver com os humores do Atlântico. As rochas sobrepostas ajudam a travar os seus apetites. A praia da esquerda, para quem está de frente para o mar, tem dois patamares de areia que a natureza moldou. Tem aviso de praia vigiada, um peixe gigante de esqueleto feito em rede, corpo transparente, boca aberta para receber o plástico que há de ser reciclado. Do lado direito, o areal é mais composto, mais largo, mais espaçoso, entre dois paredões. Quem quer barraca, traz de casa, é à vontade do freguês, estica-se a toalha onde se quer.

(Fotografia de Leonel de Castro)
Nas dunas, ainda tímidas de pouca areia, porque a erosão não dá tréguas, há plantas que crescem naquele solo, o cardo-marítimo que se dá bem em dunas embrionárias e primárias, tal como a morganheira-das-praias e o feno-das-areias. A perpétua-das-areias e a madorneira preferem as dunas secundárias. O cheiro sente-se, a maresia do mar e os odores da flora que o vento distribui para onde lhe apetece.
Paramos é um lugar balnear não demasiado óbvio, nem demasiado escondido. Quem lhe conhece as virtudes, e não gosta de confusão quando o sol aquece, faz-se ao caminho. E há vários para lá chegar. Quanto ao mar, já se sabe, é para o lado que o Atlântico estiver virado. O mesmo mar que, várias vezes, reúne as condições ideais para o surf e para o bodyboard. Paramos é praia, é mar, é peixe no prato, e é ponto de passagem entre trilhos rente à costa.
O que fazer nas proximidades
Marisco e petiscos a metro no Zé da Banana

(Fotografia de Leonel de Castro)
Lugar obrigatório para quem chega e para quem passa. Carta farta em snacks e petiscos. Cachorros e pregos a metro – sim, com um metro de comprimento – com ou sem molho de francesinha. Hambúrgueres XL para quatro ou cinco pessoas. Tábuas de queijos, enchidos, melão e azeitonas. Sandes e tortilhas de frango e de atum. Camarão, amêijoa, búzios, mexilhão, percebes. Para beber, a receita da casa com vinho, cerveja e Seven Up. O negócio começou em 1966 numa tasca num palheiro de madeira pelo Zé da Banana (assim batizado por a mãe vender bananas), cozinheiro em alto mar. Ele partiu, a filha e o genro mantêm a porta aberta com duas salas e esplanada. No número 3 da Avenida da Praia. Não encerra, está aberto todos os dias das 7h às 23h, contacto 916611033. Preço médio: 6 euros.
Surf no mar e ioga na areia

(Fotografia de Leonel de Castro)
Pedro Melo dá aulas de surf, Paula Soares orienta sessões de ioga na praia ou num chalé a cinco minutos do areal, conforme o tempo e o ambiente. A Surfjah, escola satélite da Surfjah – Escola de Surf de Espinho, tem uma pequena casinha de madeira com pranchas, fatos e material de surf para apanhar ondas no mar ali à frente. Os horários das aulas são publicados aos domingos nas redes sociais com o calendário para toda a semana. Cinco aulas de surf e cinco momentos de ioga ficam por 160 euros. Contacto 936308754.
Passear a pé para norte e para sul

(Fotografia de Leonel de Castro)
É uma praia bem servida de passadiços que, aliás, estão mesmo ali ao pé, na linha rente à costa. Para norte, a ecovia do litoral com cerca de 12 quilómetros para fazer a pé ou de bicicleta. Para sul, acesso direto aos passadiços da barrinha de Esmoriz/lagoa de Paramos, trilho que circunda a zona lagunar com uma ponte de madeira e fauna e flora para observar e apreciar.
