É uma viagem através do tempo, tempos do século passado, para perceber o que se passava nas entranhas da terra e à superfície. Eram vidas difíceis, de miséria e de fome. E ali havia chumbo e prata para explorar, para extrair, para vender. Chumbo, sobretudo. Ao longo de cinco quilómetros, as Minas da Malhada e do Braçal revelam-se em visitas orientadas marcadas para 17 e 18 de junho, 29 e 30 de julho, 26 e 27 de agosto, 23 e 24 de setembro. Foi a primeira concessão mineira registada no país, em agosto de 1836. Fechada há mais de 60 anos.
O trajeto é feito pela margem do rio Mau e pela antiga linha de vagonetas, por chão pisado por homens e mulheres que ali trabalharam. O circuito inclui uma visita a uma antiga galeria e o forno alto há de aparecer pelo caminho, pelo meio da floresta. A central elétrica ficou em esqueleto, a lavaria foi tomada pela vegetação, há paredes que resistem dos escritórios, das oficinas, da fundição, do posto médico. Eram seis pisos, 120 metros de profundidade, trabalhava-se por turnos, não se parava. Conduziam-se vagonetas, lavava-se o minério, transformava-se a galena em lingotes de chumbo.
Um pouco de contexto, de história e de geografia, para o devido enquadramento. O complexo mineiro do Braçal inclui as minas do Braçal, da Malhada e do Coval da Mó, e estende-se ao longo do rio Mau, na encosta Este da serra do Braçal. Era um dos maiores jazigos mineiros da região de Aveiro e agora faz parte do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Geológico e Mineiro de Portugal.
Neste momento, é possível conhecer a antiga fundição e várias infraestruturas usadas na transformação do minério. O que saía das profundezas do solo era moldado a altas temperaturas. O rio Mau, afluente do Vouga, atravessa as minas, tem flora digna de registo à volta, floresta generosa ao redor, fetos e musgos nas margens. Parte do rio foi desviado para túneis artificiais de pedra e cimento construídos pelo homem. O percurso prevê, da parte da tarde, uma visita ao Museu Municipal de Sever do Vouga, com particular atenção ao núcleo dedicado às minas.
O ponto de encontro, agendado para as 8h45, é na sede da Liga dos Amigos do Folharido e Braçal, na aldeia do Folharido, onde é possível deixar a viatura. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia. Informações na câmara municipal, que está a promover as visitas às minas do seu território.