A casa é pequena e humilde. Cozinha de chaminé larga, tachos pendurados, masseira, malgas e pratos em prateleiras, uma mesa, janela virada para a rua. Sala de estar com escrivaninha, armário de canto de madeira escura, cómoda ao centro entre portas que dão para dois quartos, onde cabem apenas duas camas de ferro com colchão de folhelho. Aqui, em Ossela, a 24 de maio de 1898, nascia José Maria Ferreira de Castro.
A habitação rural transformou-se em museu, como quis o escritor, e há objetos que contam parte da sua vida. Uma das malas e os sapatos da volta que deu ao mundo em 1939, o dicionário de capa vermelha que levou para Belém do Pará. No andar de baixo, adega com lagar, prensa, salgadeira, seis pipos. Nas traseiras, o quintal outrora lavrado pela mãe e o imponente e belo carvalho plantado pelas próprias mãos, em criança. Órfão aos oito anos, aos 12 emigra para o Brasil, tem jeito para as palavras, escreve, publica, vende porta a porta, regressa, torna-se um escritor maior, autor de “Emigrantes” e “A selva”.
A ligação às origens é evidente, nunca as renegou, nunca as esqueceu. À volta da casa, há um roteiro literário que recorda passos, pensamentos, histórias. São 34 estações, ao longo de 12 quilómetros, que relembram lugares de infância e momentos que refere nas obras. A escola primária, o primeiro amor, a igreja velha onde foi batizado e fez a comunhão, o rio Caima onde mergulhava com os colegas, o chafariz de Vermoim, onde brincava com o arco do pipo, a biblioteca que mandou construir.
Os caminhos de Ferreira de Castro têm carreiros, pontes e ribeiros, o vale de Ossela e a serra da Felgueira. Em cada paragem, há textos seus, palavras que são memórias e recordações. De maio a outubro, no primeiro sábado de cada mês, das 9h às 13h, há visita guiada que parte da casa-museu e segue o roteiro dedicado ao escritor oliveirense.
(Fotografia de Maria João Gala/GI)
Parque Temático Molinológico
Museu vivo da moagem dos cereais e da confeção do pão de Ul, com 11 moinhos de água, núcleo museológico, forno tradicional, alfaias associadas à atividade com mais de 200 anos. Tem parque de merendas e área de diversão para crianças. São 29 hectares e dois rios, o Antuã e o Ul, seu afluente.
(Fotografia de Maria João Gala/GI)
Praia Fluvial do Pedregulhal
Junto ao rio Caima, com parque para uma tarde de mergulhos em família, com natureza a toda a volta.
Restaurante Pinheiro
Sabores tradicionais, comida caseira, ambiente familiar. Há um prato dedicado ao escritor, feito apenas por encomenda: a posta à Ferreira de Castro (carne de porco, do cachaço, grelhada, acompanhada com feijão preto, batata frita e arroz). Bacalhau à Pinheiro (frito com batatas fritas e cebolada), vitela assada no forno, rojões com sarrabulho e polvo à lagareiro, são especialidades da casa.
Hotel Rural Vale do Rio
Os quartos têm vista para o rio Caima e varanda privada. As acomodações são modernas, de hotel de quatro estrelas com spa, ginásio, piscina interior, uma pequena biblioteca, num ambiente calmo e tranquilo. A cinco quilómetros do centro de Oliveira de Azeméis.
(Fotografia de Maria João Gala/GI)