Serão os mais sui generis Santos Populares da recente memória, mas são aqueles que podemos ter. Em ano pandémico, os arraiais, o desfile das Marchas Populares, os casamentos de Santo António, os concertos ao vivo pelas praças dos bairros tradicionais de Lisboa e as intermináveis bancas com comes e bebes ao ar livre serão substituídos por novos menus alusivos às Festas de Lisboa, jogos na rua como a caça à sardinha e ofertas.
A autarquia e a EGEAC tinham prometido um Festival à Janela e um Cinema no Estendal para os próximos dias, mas ambos os eventos já foram cancelados, face à evolução da situação pandémica, nomeadamente numa altura em que os números em Lisboa e Vale do Tejo dão sinais de preocupação. A primeira iniciativa iria projetar, em parceria com o ateliê OCUBO, concertos de Teresa Salgueiro, Noiserv ou The Legendary Tigerman e espetáculos de dança pelas praças e bairros de Lisboa, todas as noites, e a segunda ia fazer o mesmo, mas com a projeção de filmes.
O jogo da caça à sardinha, ainda assim, mantém-se. A EGEAC afirma que vai “oferecer milhares de sardinhas acabadinhas de vencer o concurso deste ano”, as quais serão distribuídas e “escondidas” por vários locais da cidade, em segurança, para serem “pescadas”. Nesta caça ao tesouro, as pistas para encontrar as sardinhas serão dadas no Facebook e Instagram das Festas de Lisboa, todas as sextas-feiras, sob o mote ‘Apanha esta sardinha’.

As ruas de Alfama, há um ano. (Fotografia: Gonçalo Villaverde/GI)
Outro dos projetos que se mantém na programação é o Ecotemporâneos. Durante todos os domingos de junho, haverá sessões de leitura pelos vários espaços verdes da cidade, em parceria com a BoCA – Biennial of Contemporary Arts, e que podem ser acompanhadas em direto no Instagram da BoCA. O artista plástico Julião Sarmento, a realizadora de cinema Teresa Villaverde, Tiago Rodrigues, o encenador e diretor do Teatro Nacional D. Maria II, e a rapper Capicua serão os convidados.
Outras iniciativas vão pontuar esta semana de Santo António na capital. A marca portuguesa de temperos Paladin, por exemplo, vai apelar a que cada um faça a festa dos Santos Populares à janela. A iniciativa Varandas à Portuguesa vai levar a marca a distribuir por 12 bairros de Lisboa (Alcântara, Campolide, Carnide, Estrela, Bica, Alfama, Olivais, Mouraria, Expo, Vila Berta, Graça e Benfica) kits compostos por bandeiras, enfeites e um conjunto de molhos, que associações e grupos irão partilhar pelos moradores destas zonas.
Pelos vários restaurantes, também se assinalam os Santos Populares com novos menus e iniciativas. No Palácio Chiado, por exemplo, o novo menu idealizado pelo chef Manuel Bóia homenageia esta época festiva, com pratos como shot de caldo verde com chouriço crocante e chouriça assada; filete de sardinha grelhada no carvão sobre torricado de pão caseiro e saladinha algarvia com pimentos assados; entremeada, bifana e bochecha de novilho em brochette com batata à dorê; leite creme e arroz doce. O menu custa 30 euros, para duas pessoas, de 9 a 13 de junho.
Perto da Avenida da Liberdade, o Sr. Lisboa celebra os Santos com uma carta renovada, para provar no espaço, que reabriu a 18 de maio, ou em casa, com entrega ao domicílio. Caracóis, sardinhas assadas não faltam, assim como uma playlist curada pelo restaurante, para entrar no espírito. Saiba mais aqui.
Também esta semana, o projeto The Art of Tasting Portugal desafiou restaurantes de Lisboa e do Porto a criar um petisco inspirado nos sabores e produtos dos Santos Populares, como a sardinha, o pimento, o caldo verde, a broa, os caracóis e o chouriço. Os pratos estarão disponíveis para take-away durante a semana do respetivo arraial de cada cidade. Leia mais sobre a iniciativa aqui.
