Quatro escapadelas para o Carnaval

A vista sobre a vila de Sintra, do Palácio Nacional de Sintra. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)
Da surpreendente modernidade de Coimbra ao ambiente de conto de fadas de Sintra, passamos ainda por Évora para provar os vinhos alentejanos e pela clássica Braga que não pára de se renovar. Quatro roteiros para quatro escapadelas no Carnaval ou para quando mais apetecer.

Passeio por Braga, com uma lufada de ar fresco entre clássicos e novidades

A história e o património cultural a religioso da cidade, eleita o Melhor Destino Europeu em 2021, abrem-se aos visitantes com uma lufada de ar fresco. Este é um roteiro pelas novidades, e também alguns clássicos, da cidade de portas abertas. AC

Ao entrar na cidade pelo Arco da Porta Nova, somos recebidos por um novo anfitrião. “Por isso é que a nossa porta está sempre aberta”, brinca José Santos, o diretor do Porta Nova Collection House. O alojamento, aberto no verão de 2019, resultou da recuperação de três edifícios históricos, transformados numa guesthouse de charme. O ar clássico da fachada, onde está instalado um calvário, aberto apenas em ocasiões especiais, como a Semana Santa, não deixa adivinhar o desenho contemporâneo dos interiores, forrados com madeiras claras e granito azul, com uma grande escadaria como peça central. O projeto é assinado pelo gabinete Cerejeira Fontes Arquitetos, responsável por outras obras marcantes na cidade, como a Capela Árvore da Vida, no interior do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo.

O Santuário do Bom Jesus, em Braga, é sempre um clássico a visitar. (Fotografia de Pedro Correia/GI)

O alojamento conta com 15 quartos acolhedores e arejados, distribuídos por três pisos. Em alguns deles foi possível manter as namoradeiras originais do edifício, onde os hóspedes se podem sentar a ver a cidade mover-se lá fora. A receção e sala de estar do Porta Nova acolhe também uma pequena loja de produtos locais, que de resto se encontram um pouco por todo o hotel, que procura agir como um promotor da cidade e da região. Põe em exposição peças de artesanato, organiza workshops de lenços dos namorados, por exemplo, e até leva os hóspedes em visitas guiadas.

O pudim Abade de Priscos dá as boas-vindas logo à entrada. “Queremos conquistar os clientes pela boca”, lança José. Todos os hóspedes têm direito a esse miminho, e os passantes também o podem adquirir em formato take away, para ir saboreando em passeio pela cidade. Para uma refeição mais consistente, a guesthouse também tem solução. O restaurante Praça Velha, oferece pratos de cozinha portuguesa com uma roupagem moderna, como a torta de robalo com escabeche, as croquetas feitas com carne de cozido à portuguesa ou o clássico bacalhau à Braga. Tudo isto acompanhado por uma bela garrafeira, que dá destaque aos Vinhos Verdes, e servido também numa agradável esplanada.

 

Mesa junto à Sé e uma capela devolvida à cidade
Aberto em plena pandemia, ao lado da Sé de Braga, o Canté trouxe à cidade uma proposta diferente, que tem por base a cozinha portuguesa, mas com influências asiáticas e sul americanas. O projeto é de dois irmãos, Joana e Miguel Marques – já esteve ligado ao restaurante Alma d’Eça, virado para o jardim de Santa Bárbara -, que batizaram o restaurante em homenagem ao pai. “Canté é uma expressão que era muito utilizada pelo nosso pai e a geração dele, que significa quem dera”, explica Miguel.

Na sala de ambiente industrial, à base de ferro, madeiras, espelhos e candeeiros desenhados à medida, e na esplanada, servem-se tacos de salmão fumado, bao à Braga – tem todos os elementos do bacalhau à Braga mas com ingredientes da cozinha asiática -, ceviche, croquetes de boi bravo e kimchi e muitos outros pratos pensados para encher a mesa e partilhar entre amigos. Durante a semana, ao almoço está também disponível um menu executivo que dá direito a prato, sopa e bebida, por 11 euros. As sangrias de espumante, em particular a de pepino e hortelã, são as escolhas mais populares para acompanhar o festim. E em breve juntar-se-á a elas uma nova carta de cocktails.

(Fotografia de Pedro Correia/GI)

A mixologia também está presente na Capela dos Coimbras, um conjunto de museu, café e jardim que marcou a reabertura de um espaço há muito fechado. A Capela dos Coimbras é a capela privada mais antiga da cidade, pertencente à família Lencastre, que em parceria com a Signinum, responsável pelo projeto de conservação e restauro, decidiu abrir a propriedade a visitas, assim como a torre, monumento nacional. Com esta nova oferta cultural veio também um espaço de lazer, o grande jardim e esplanada – agora coberta para o inverno – rodeada de cedros, onde é possível beber um cocktail – em destaque estão os cocktails de fruta à base de rum ou vodka – petiscar e assistir a concertos, documentários e outras atividades da preenchida agenda cultural. Também está prevista a abertura de um café-museu no interior da casa dos Coimbras, junto ao jardim, com um espaço dedicado à história da casa e novas exposições todos os meses.

Uma curiosidade: a paredes-meias com a capela fica a Igreja de São João do Souto, onde terão nascido as grandes festas de S. João de Braga, e onde terá sido batizado André Soares, o arquiteto do barroco a que se atribui o projeto do Arco da Porta Nova (aquando da sua reconfiguração no século XVIII).


Baloiçar nas alturas
Junto à capela de Santa Marta das Cortiças, a que se chega passando por um sobreiral, foi instalado no verão passado o Baloiço de Esporões, num dos pontos mais altos da cidade, a 561 metros de altitude. Dali, tem-se vista para os vales e as serras que abraçam Braga, e quem quiser prolongar a visita tem mesas de piquenique e trilhos para percorrer. Para outra perspetiva da cidade, subir a imponente escadaria do Bom Jesus do Monte, classificado como Património Mundial da Unesco em 2019, é um programa incontornável.

(Fotografia de Pedro Correia/GI)


Um jardim barroco
A poucos passos do Arco da Porta Nova, o Museu dos Biscainhos, além de albergar uma exposição permanente que mostra como seria a configuração de uma casa senhorial do século XVIII, esconde também um belíssimo jardim barroco, que é possível visitar livremente. Está dividido em três patamares e com uma área de 1 hectare, rematada por muralhas. Entre a rica diversidade botânica, encontram-se camélias, magnólias, um imponente Tulipeiro da Virgínia com 300 anos, um canavial e uma alameda de laranjeiras. Acredita-se ainda que algumas fontes e esculturas barrocas sejam da autoria de André Soares.

(Fotografia de Pedro Correia/GI)

 

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Coimbra: a cidade antiga tem uma face moderna – e está cheia de novidades

Boas noites de sono, em camas de luxo ou compartimentos de madeira, novos espaços com arte contemporânea, comida italiana e francesinhas mais saudáveis. Também isto justifica uma visita a Coimbra, Património Mundial. CF

É uma cidade milenar, que já foi capital de Portugal e acolhe a universidade mais antiga do país, mas a sua oferta não se esgota nesse património, que é da Humanidade. A Coimbra contemporânea também merece atenção, até porque há projetos novos em redor do Mondego. É o caso do HÄSTENS SLEEP SPA – CBR BOUTIQUE HOTEL, que surgiu em maio, no Largo da Portagem, e propõe “uma experiência superlativa de sono”, passando uma noite “na melhor cama do Mundo”, explica Tiago Marques, assistente de direção. Refere-se às camas da marca sueca
Hästens, feitas por mestres artesãos, com matérias-primas naturais, segundo métodos que remontam a 1852. Os 15 quartos duplos têm camas Herlewing, de edição limitada, menu de almofadas e outras comodidades.

Ainda assim, é inevitável falar da Universidade, ali chegados. Afinal, a decoração remete para a Biblioteca Joanina, que já inspirara a loja de conservas da Comur no piso térreo, também pertencente ao Grupo O Valor do Tempo. Por exemplo, a forrar as casas de banho dos quartos estão lombadas de livros esculpidas à mão, em mármore, com os títulos e nomes dos autores gravados em ouro. E o andar superior, onde são servidos chá da tarde e pequeno-almoço (e que dá acesso ao rooftop), acolheu a sede da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra. Por
isso, a sala tem representadas nas paredes publicações de ex-alunos – como Miguel Torga, escritor e médico que deu consultas naquele mesmo largo.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)

Opção bastante distinta é o projeto BIXOS/ZERO BOX LODGE, que reúne alojamento, restaurante e bar num só edifício: a antiga garagem Santa Cruz, na Avenida Emídio Navarro. Abriu em junho, por iniciativa da Mainside, responsável por projetos como o Zero Box Lodge Porto ou a LX Factory, mantendo vestígios do tempo em que foi garagem, gasolineira e stand de automóveis.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)

É um espaço que “sai fora da caixa”, comenta a diretora, Natália Silva. Desde logo, porque disponibiliza 44 “boxes” de madeira, a lembrar os hotéis cápsula japoneses, mas redimensionadas, com cama de casal e casa de banho. “Não há televisão nem janela com vista, o propósito é dormir”, sublinha o rececionista João Porto, enquanto mostra os quartos, pensados para quem quer desfrutar da cidade.

Subindo as escadas vermelhas em caracol, chega-se ao restaurante-bar Bixos (uma referência ao livro de contos de Torga), e é difícil tirar os olhos da obra de Leonel Moura que mostra uma mulher a erguer um elefante. A música é presença constante, com DJ à sexta e ao sábado, e a cozinha tem base italiana: há tábuas de queijos e enchidos de Itália, massas e pinsas, em vez de pizas. A pinsa “tem menos 50% de energia, açúcar e carbohidratos, menos 80% de gordura que uma piza”, lê-se na ementa, que inclui ainda pratos de carne, sobremesas, vinhos e cocktails.

 

Criatividade da mesa às telas
Num pulo, chega-se ao Quebra Costas, também com novidades. Entre elas, o OAK, restaurante fundado, em setembro, por Tomás Carvalho e Adriana Aires. Por ela ser do Norte, a especialidade são as francesinhas, só que confecionadas de forma “mais saudável”, sem fritos e com um molho “100% vegetal”. Em vez de ovo estrelado, levam ovo escalfado, e as batatas aos palitos são feitas no forno.

Existem três francesinhas: de frango e alheira, em pão de beterraba; de porco ou novilho, em pão de sementes de girassol e milho; e, por fim, a vegetariana, uma combinação de beringela, curgete, pimentos e cogumelos, em pão de alfarroba ou quinoa, adaptável a veganos. Há ainda alguns pratos alternativos, vinhos e cervejas artesanais, nesta casa com nome de família: “oak” significa Carvalho, em inglês.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)

Outro espaço a descobrir bem perto é o CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE COIMBRA, que acolhe 193 obras do Estado outrora pertencentes ao BPN. “De que é feita uma coleção? Tensão e Narratividade”; é a terceira exposição de um ciclo que arrancou em julho de 2020, com a abertura daquele equipamento municipal. Trata-se de um conjunto de “peças que têm a palavra inscrita ou uma escrita em potência e, ao mesmo tempo, uma certa narratividade", esclarece o curador do Centro, José Maçãs de Carvalho.

Criações de autores como Eduardo Luiz, Helena Almeida ou Matt Mullican distribuem-se por três pisos, estando o primeiro temporariamente fechado, no âmbito de um projeto de digitalização das obras de arte. Até fins de março, as visitas decorrem só de segunda a sexta, com entrada gratuita. A próxima exposição deverá ser inaugurada no dia 9 de abril, coincidindo com a realização da Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. Mais uma razão para voltar.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)


Esplanadas sobre o rio

O PARQUE VERDE DO MONDEGO, que se estende pelas duas margens do rio, ligadas pela ponte Pedro e Inês, tem percursos pedonais e de ciclovia, parques infantis e um urso gigante na margem direita, junto às docas. Esse espaço com esplanadas sobre a água, serviços de restaurante, bar e gelataria reabriu há menos de um ano, após obras de requalificação decorrentes das cheias de 2016.

(Fotografia de Maria João Gala/GI)


Joias num novo showroom
Li Furtado deixou o emprego como consultora em planeamento do território, em 2017, para se dedicar à CINCO, a marca de joias que fundara, online, quase por brincadeira. A sua montra virtual soma já cerca de 300 referências, peças em prata e ouro, com uma certa toada vintage e minimalista, ainda que algumas sejam mais vistosas. O objetivo é “elevar o look”. O site continua a ancorar as vendas da marca, que agora também tem um showroom aberto ao público, em Coimbra.

 

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Passeio por Évora: um novo hotel para famílias, artesanato, vinhos e boa comida

A cidade património da UNESCO mantém-se vibrante todo o ano, convidando ao passeio. Das vinhas às mesas que reinventam as tradições, passando por um novo hotel em harmonia com o campo, há muito para descobrir. AR

Terra de vinhos por excelência, Évora não se deixa visitar em pleno sem uma passagem pela ROTA DOS VINHOS DO ALENTEJO, um espaço moderno no trajeto a pé entre a Praça do Giraldo e o Templo Romano. Neste portal para o mundo da viticultura são dados a conhecer a história do vinho alentejano – iniciada pelos romanos há dois mil anos -, a prática do vinho de talha, as paisagens e experiências associadas ao vinho, as castas-estrela da região, os tipos de solo e as práticas sustentáveis adotadas por muitos produtores, já com um olhar no futuro.

Ruas de Évora. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

“Acima de tudo, é um espaço de promoção do enoturismo da região, pois temos aqui representados os 73 produtores aderentes à rota e nos quais é possível visitar as adegas, fazer provas de vinhos, comer ou dormir, entre outras atividades”, explica Helena Direitinho, responsável pela Rota dos Vinhos do Alentejo. Com auxílio de um painel interativo é possível criar um percurso à medida e enviá-lo para o e-mail. Na última sala têm lugar as provas de vinho, entre branco, tinto e rosé, de produtores rotativos semanalmente (quatro vinhos a copo/5 euros por pessoa).

Apaixonado pela cidade, Francesco Ogliari, natural de Crema, Itália, sentiu que havia margem para trazer outra “frescura” aos vinhos e à gastronomia eborenses, e por isso abriu o TUA MADRE com a mulher Marisa Tiago, há dois anos. “Procurámos um espaço pequeno para começar, mas que ultimamente tem sido pequeno demais, porque não esperávamos tanta adesão”, confessa o chef. A cozinha serve a sala de poucos lugares e uma esplanada, e é proporcional à escala dos produtores locais, dos legumes ao Talho das Manas, com quem trabalham.

À mesa, os sabores agigantam-se no prato, traduzindo a cozinha “alentaliana” de Francesco, um “mistura de alentejano com italiano”. “As cozinhas do interior português e italiano têm muitas semelhanças nos modos de confeção e nos produtos”, acrescenta. A carta muda com bastante frequência, ao sabor da época, mas tem sempre carbonara com papada (bochecha de porco) ou ravioli de cabrito assado. Sandes de barriga de porco assada em pão brioche, risoto de lírio com coentros e laranja e tagliata de novilho são outras das apetecíveis propostas.

O restaurante fica no centro histórico. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

O conselho da casa é pedir um couvert e três petiscos para duas pessoas, mas por 35 euros por pessoa é possível provar todos os pratos do menu, incluindo as sobremesas fixas de rabanada com padinha (bolo doce) e gelado e mousse de chocolate com sal marinho e azeite. No copo bebe-se a tal frescura de que o chef fala: vinhos naturais e orgânicos capazes de emparelhar na perfeição. Se entretanto o Tua Madre inspirar a compra de bons produtos alentejanos (e não só), a uma curta distância a pé pelas ruas do centro histórico encontra-se a loja OXALÁ.

Encaixada no largo em frente à Pousada da Juventude, esta loja aposta no artesanato autêntico e nos produtos regionais escolhidos por Rui Silva, que durante muitos anos trabalhou na empresa de imobiliário da família. As prateleiras expõem chávenas, canecas e pires da olaria de São Pedro do Corval (“o maior centro oleiro da
Península Ibérica”, nota ele) e da Casa Cubista, em Olhão; assim como outras peças de cerâmica de artesãs radicadas em vários pontos do país. Também há panos de loiça, pegas, guardanapos e tábuas de servir em mármore e madeira.

Rui Silva vende artesanato, loiças e produtos regionais na Oxalá. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

Como ideias de presente gastronómico a Oxalá sugere, por exemplo, conservas, sal e flor de sal, doces e mel; a par de produtos de cosmética natural à base de azeite alentejano; malas da Fábrica Alentejana de Lanifícios de Reguengos de Monsaraz; chás e bonecos de Estremoz. A loja vende, igualmente, calçado biodegradável, bonecas em burel, encadernação japonesa e uma série de outros artigos que aliam o design à funcionalidade dos tempos atuais. Uma das paredes da loja, por sua vez, é dedicada aos vinhos de produtores de quase todas as zonas do Alentejo.

Já no largo do Mercado Municipal 1.º de Maio, com vista para a Igreja de São Francisco/Capela dos Ossos, encontra-se a morada do LUUMI. Mais do que uma marca, este foi o projeto a que Helena Imaginário se agarrou para sair de um processo de burnout que a fez despedir-se de uma multinacional do setor têxtil, meses antes de a pandemia se instalar no país. A “luz ao fundo do túnel” acendeu-se justamente num abat-jour que encontrou no lixo e quis recuperar, pedindo ajuda a Hélder, que além de seu amigo é escultor de cortiça.

Na impossibilidade de recuperar a estrutura danificada, decidiram fabricá-la eles próprios, ou não tivessem pais carpinteiros, ambos naturais de Évora, e Helena uma formação em conservação e restauro que nunca havia exercido. Replicando a fórmula, criaram candeeiros suspensos, de mesa e abat-jours de todas as formas e feitios, cuja estrutura é feita em contraplacado cortado numa máquina e a decoração com fios de lã e linho trançado, em padrões coloridos e geométricos. “Unimos o artesanato ao design e as novas tecnologias às manualidades”, resume.

Com as partes de madeira sobrantes, Helena produz bijuterias que faz questão de usar no dia-a-dia. A loja vende também ilustrações da Urban Sketcher Susana Coelho, mantas de lã e outros artigos de artesãos amigos. “Ao fim de semana de manhã sento-me ali na roda de fiar e acabo por dar workshops espontâneos de fiação de lã”, acrescenta Helena, sorridente e satisfeita com a sua nova vida.

 


Um hotel para estar no campo
A cabras-anãs, ovelhas, porcos pretos, patos, galinhas e o pónei da quinta do ÉVORA FARM HOTEL & SPA aproximam-se com confiança de Daniela Luís, tantas são as vezes que ela os vai alimentar na companhia das crianças hospedadas no hotel. “Uma das atividades da nossa agenda infantil é vir à horta e alimentar os animais, por isso trazemos um cesto com maçãs, cenouras e restos de pão, que eles adoram”, conta a animadora turística, sob o olhar atento do sr. Isidro. Ele divide-se entre a quinta, onde também há coelhos, a horta e o pomar de citrinos.

A época do inverno não é a mais rica em colheitas, mas dali retiram-se com frequência cenouras, alfaces, couves, tomates e muitas ervas aromáticas para usar na cozinha e bares do hotel, a cargo do chef Daniel Sousa. Juntamente com a técnica, o que produzem e o que compram a produtores locais dá origem aos pratos de cozinha alentejana do restaurante À TERRA (aberto a não-hóspedes sob reserva), como por exemplo peixinhos da horta com hummus de grão de bico, ovos rotos com paio e arroz de polvo assado em touriga com alho de inverno.

A picanha de borrego com salada da horta e chimichurri também conquista o estômago, tal como a sobremesa “A nossa horta” feita com legumes e chocolate. Em harmonia com o campo, o hotel dispõe de 56 quartos espaçosos e modernos e 16 villas com piscina privada, spa com piscina interior e ginásio abertos 24h, sauna, banho turco e salas de tratamento, várias piscinas exteriores (três delas de contemplação sobre um vale de oliveiras e a barragem de Monte Novo) e condições para receber animais de estimação.

O hotel tem 16 villas e 56 quartos de várias tipologias. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

 

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Escapadela por Sintra: um conto de fadas entre palácios, artesanato e boas mesas

Fora da época alta do turismo, a vila de Sintra, cuja paisagem cultural é património da UNESCO, deixa-se visitar mais tranquilamente. É o tempo de revisitar o palácio nacional, dormir num cenário romântico e saborear os produtos portugueses. AR

Destacando-se na paisagem com as chaminés cónicas da cozinha real, o PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA coroa majestosamente o centro da vila, afirmando-se como inesgotável programa de passeio. Que o diga o seu diretor, António Nunes Pereira, enquanto aponta para uma maquete do monumento, à entrada. “Na verdade são três palácios dentro do mesmo, e este é um dos mais antigos da Europa e um dos poucos que ainda têm vestígios medievais. Tem mais de mil anos de história e todos os reis de Portugal, com exceção dos Filipes, viveram aqui” até à República, conta.

“O palácio não era apenas uma residência, mas um complexo de governo do país e da região, com lugar para todas as funções do rei, numa altura em que não havia a separação entre o cargo e a intimidade como a entendemos hoje”, nota. Assumindo que cada um dos monarcas deixou a sua marca ordenando diversas construções e adaptações arquitetónicas, o que se vê é resultado de obras promovidas nos reinados de D. Dinis, D. João I, D. Manuel I e D. João III. E é ao século XVI que remonta a mais recente novidade descoberta do palácio: uma galeria palatina.

António Nunes Pereira é o diretor do Palácio Nacional de Sintra. (Fotografia de Leonardo Negrão/GI)

Após dois anos de investigação, a equipa de conservadores apurou que a atual Sala das Galés funcionou como uma galeria privada, “a única desta época conhecida em Portugal”. Espaço do Humanismo quinhentista mandado construir D. João III, era nele que o neto, D. Sebastião, dormia a sesta, passeava com vista para a serra e dialogava com os seus mestres, como forma de aprendizagem. Sendo também um espaço de preservação da memória dos feitos da coroa, foi decorado com 63 pratos de produção Valenciana e 86 azulejos inéditos, na nova musealização.

“A memória é um dos 10 núcleos temáticos do circuito de visita que abordam de forma simples e direta as questões ligadas à vivência do palácio”, explica o diretor. Na prática, este novo projeto museográfico com painéis e placas de sala ajuda os visitantes a identificar as diferentes épocas e funções das salas. Dando um pulo até ao dia 4 de outubro de 1910, dia em que a rainha D. Maria Pia de Saboia abandonou o palácio rumo ao exílio, encontra-se do outro lado da estrada a SINTRA BAZAR, histórica loja de artesanato, conta a proprietária Carla Jusek.

“Os meus bisavós moravam aqui. Ele fazia sapatos para a nobreza da vila e sabia falar um bocadinho de inglês e de alemão, tanto que muitos estrangeiros vinham aqui para lhes ler o jornal. Mais tarde, uma das filhas – a minha avó – casou, e como viram um novo setor de mercado começaram comprar artesanato para vender aqui no pátio. Foi assim que o negócio começou”, relata Carla, apontando para uma fotografia da avó e da mãe, a preto e branco, colada numa das janelas.

Já o filho Tomás, formado em hotelaria, introduziu um cantinho com conservas, vinho do porto, patês, doces, compotas e outros produtos bons para oferecer. A aposta nas louças da Vista Alegre, Bordallo Pinheiro e de Coimbra sempre se manteve, a par da sala dedicada aos bordados de Viana e da Madeira (muitos disponíveis a pedido e por catálogo). A filigrana de prata tem também destaque.

Nas ruas íngremes e apertadas do centro, a que aos poucos os turistas estrangeiros estão a regressar, descobrem-se – além dos travesseiros da Casa Piriquita – outros segredos bem guardados. É o caso do BACALHAU NA VILA, restaurante em que a simpatia é o cartão de visita e o chef Ricardo Santos, 27 anos, mostra haver mais de mil e uma maneiras de fazer bacalhau. Aqui, o gadus morhua chega da Noruega seco e inteiro e é cortado e demolhado no piso superior, conforme os pratos a servir.

Além do peixe, Ricardo aproveita o sal e as espinhas, em caldos e decorações. “Noventa por cento da nossa carta leva bacalhau”, diz o chef, enviando para a mesa criações como espinheta (feita com as barrigas), ceviche (a partir do lombo), pastéis de nata de bacalhau, tiras de bacalhau panadas e crocantes e pratos mais substanciais como a espetada de bochecha de bacalhau com chutney de manga, trilogia de pimentos e cebola roxa e o polvo à lagareiro com camarão e bacalhau salteado na frigideira. Ao lado da sócia, Isabel Carvalho, conta que o avô o ajudou a trabalhar com peixe, e que ambos estão satisfeitos com o sucesso do restaurante.

A pouco mais de um quilómetro do centro da vila e do Palácio Nacional de Sintra encontra-se o recente ROSEGARDEN HOUSE, do grupo Unlock Boutique Hotels. Casa de charme, decorada e mobilada com peças de antiquário para recriar o ambiente romântico, dispõe de oito quartos (alguns com vista para a serra), piscina
exterior aquecida, terraço, biblioteca no sótão e uma sala de refeições onde é servido o pequeno-almoço e brunch (a pedido/25 euros por pessoa). Rodeado de floreiras e vegetação, lembra o cenário de um tradicional e mágico conto de fadas.


Comer à mesa da família Santos
Antes da hora de almoço, Maria João Santos, com 60 anos e metade dos quais cabeleireira, troca o secador de cabelo pela frigideira e dedica-se à cozinha do RESTAURANTE SANTOS, que gere com o marido João, 63 anos e ex-motorista privado, numa zona industrial da Abrunheira. Como em casa, não há carta; antes um menu com pratos de peixe e carne fixos consoante os dias, e que podem ir de choquinhos à algarvia com xérem a favas com entrecosto, passando por massada rica de peixe, bochechas com batata doce frita, moqueca de peixe, galo estrugido com batata frita caseira e carne de porco à alentejana, entre outros. Tudo entregue com amor e tempero apurado, na companhia de sangria, vinho, cerveja, sumo de laranja e água à discrição. O menu fixo custa 20 euros por pessoa e inclui couvert, entradas, prato de peixe e carne, sobremesa e café. Brinda-se com medronho.

 

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.



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