Defender e promover a filigrana de manufatura foi o que levou os irmãos Luísa e Pedro Rosas a criar a House of Filigree. “Começamos a perceber que peças que se diziam ser de filigrana eram produzidas em massa, através de moldes, e decidimos criar um projeto que mostra de facto como é a filigrana feita à mão, para ajudar a manter a arte” explica Luísa, a responsável criativa da casa.
Ela e o irmão são filhos de David Rosas, o fundador da empresa de alta joalharia e relojoaria a que dá nome, e a quinta geração de uma família com raízes na ourivesaria desde meados do século XIX. Aliás, os bisavôs de Luísa e Pedro – Vicente Gaspar Vieira e Domingos Martins Ferreira – fundaram duas importantes casas da filigrana em Gondomar, e por isso a ligação a essa técnica ancestral sempre lhes foi muito próxima.
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
A House of Filigree reabriu em agosto, depois de vários meses encerrada devido à pandemia. Está instalada no edifício do hotel Pestana Porto – Goldsmith, de portas voltadas para a rua do Almada, a convidar quem passa a entrar no mundo da filigrana, através de um museu que conta a história dessa arte ancestral, um atelier que deixa ver ao vivo o ofício dos artesãos e uma boutique, onde a filigrana artesanal se une à joalharia contemporânea.
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
Durante a visita ao museu é explicada a técnica da filigrana, desde a fundição do ouro e da prata até à produção do fio, e dão-se a conhecer os dois grandes núcleos da filigrana em Portugal, Gondomar e Póvoa de Lanhoso, através de vídeos, imagens de antigamente, objetos e ferramentas originais que representam todo o processo de produção. O ponto alto do percurso é o atelier, onde se vê as ourives a encher as peças na bancada. São ali acabadas algumas das peças da linha exclusiva My Filigree, criada por Luísa Rosas e à venda na boutique.

House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
As galerias que se seguem à pequena oficina põem em exposição peças de ourivesaria que acompanham a evolução cronológica da filigrana em Portugal. Brincos, colares e até objetos decorativos, em que não faltam motivos emblemáticos como a Cruz de Malta e o coração de Viana.
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
- House of Filigree (Fotografia: Artur Machado/GI)
“Estas peças têm um tempo, mas temos de casar a filigrana à joalharia contemporânea para dar-lhe um futuro”, alerta Luísa. Daí que, desde o início a intenção foi complementar o projeto com uma boutique, um espaço onde se olha o presente e o futuro da filigrana. Além da coleção My Filigree, mais acessível, na loja encontram-se as jóias da coleção Heritage, inspiradas nos modelos tradicionais da ourivesaria portuguesa, a linha Contemporary, desenhada por Luísa Rosas, e ainda uma seleção de peças vintage.
“Não queremos deixar de olhar para o passado, mas o objetivo é mostrar que a filigrana não é uma arte datada. É mudar a ideia das pessoas se que são peças difíceis de usar e incentivar a procura, incentivar a oferta e a formação de mais artesãos”, remata Luísa, reforçando a esperança de um futuro risonho para a filigrana artesanal.
O fio que nos une
Face às consequências económicas da pandemia, a House of Filigree lançou um manifesto de apoio aos artesãos de filigrana, oferecendo um desconto de 15% em todas as compras na loja online.








