Publicidade Continue a leitura a seguir

Paulo Gonçalves: “As abelhas Buckfast são mais gentis e boas produtoras de mel”

Paulo Gonçalves dedica-se à reprodução de abelhas através do método de Buckfast. (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)

Publicidade Continue a leitura a seguir

Desde 2011, que deixou a carreira de fotógrafo para segundo plano para se dedicar a 100% ao hobby que tem desde a juventude, a apicultura. Logo de início apostando no método de reprodução Buckfast, que permite selecionar as características das abelhas, normalmente mais dóceis e fáceis de trabalhar, não sendo necessário usar fato de proteção. Hoje, Paulo tem no total oito apiários na região – três em Monção e cinco em Melgaço, dois dos quais na Branda da Aveleira -, onde as pequenas trabalhadoras estão por esta altura a produzir um maravilhoso mel.

 

Como começou o interesse pela apicultura?
Já vinha de família. Os meus avós e os meus pais sempre tiveram abelhas, por isso o interesse pela apicultura começou em casa, quando eu tinha 18 anos mais ou menos. Na altura ainda usávamos os cortiços. Depois fomo-nos adaptando e passamos para as colmeias móveis, e foi crescendo. Mas a apicultura profissional começou comigo. Fui fotógrafo durante muitos anos (e ainda faço algumas coisas), mas ficou para segundo plano, e desde 2011 que a minha atividade principal são as abelhas.

 

Foi nessa altura que conheceu as abelhas Buckfast?
Isso foi antes, em 2006. Tive um encontro com criadores de abelhas e foi daí que comecei a usar o Buckfast, que é um método de reprodução desenvolvido pelo irmão Adam, na abadia de Buckfast, em Devon, no Reino Unido. Desde 1919, e durante quase 80 anos, ele dedicou-se à seleção das melhores linhagens de diferentes raças, fazendo cruzamentos, de forma a melhorar as características das abelhas, e criando vários pedigrees. Tenho abelhas com registos de pedigree desde 1962, por exemplo. Esse método agora é seguido por criadores de toda a Europa. No fundo, o que nós fazemos é pegar numa abelha e adaptá-la ao local, melhorando algumas características, como a produção, a mansidão, a higiene e etc.

Paulo Gonçalves, em Virtelo (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)


O que distingue essas abelhas das outras?
A principal distinção é a mansidão. É uma abelha mais gentil. É qualquer coisa fora do normal. Também são muito higiénicas, o que nos facilita a nós apicultores, porque não têm tantos vírus nem fungos. Ao terem mais higiene duram mais em termos de colónia. E também não enxameiam. Nós entendemos que elas ao enxamear vão dar menos mel. E assim, vão ficar mais abelhas na colmeia e haver mais produção.

 

Quando é feita a colheita do mel?
A colheita este ano vai ser em setembro. Elas produzem o mel na Primavera, mas como este ano não tivemos Primavera em Melgaço estão a produzir gora. Este ano foi a exceção, mas por acaso está a entrar bom mel. O nosso mel é mais silvestre, de montanha, devido à flora que aqui temos, como o castanheiro, a silva e a urze, que é uma das plantas principais. Este ano vai ser uma produção pobre, mas boa.

Apiário de Virtelo (Fotografia: Rui Manuel Fonseca/GI)

 

Apiturismo
Desde o ano passado, Paulo recebe visitas nos seus apiários em Virtelo, na freguesia de Cousso, em Melgaço, e na Branda da Aveleira. Mas aquelas abelhas dóceis, já ali atraem curiosos há mais tempo. “Já em 2011, quando pus a primeira fotografia com as abelhas na mão na internet, começou logo a aparecer gente, apicultores na maioria”, conta Paulo.

 

Agora, desafia qualquer visitante a pegar nos pequenos insetos com as mãos, sem ser necessário proteção. “Só picam se se sentirem ameaçadas”, sossega Paulo. Por isso, quem se atrever a segurar gentilmente nas abelhas, terá a experiência incomum de sentir as suas pequenas asas irrequietas, sobre a pele. As visitas ao apiário também incluem uma prova de mel, diretamente do favo, e ainda bucho doce, especialidade melgacense, que casa na perfeição com o mel.

Visitas: a partir de 20 euros por pessoa
Web: facebook.com/Buckfast.Portugal