
Isabel Batista. (Fotografia: DR)
Mal fechou a loja de móveis e objetos vintage que tem no centro de Vila do Conde, logo após os filhos terem ficado sem aulas, Isabel Batista tratou de manter contacto com os amigos e os clientes habituais. Criou uma conta no WhatsApp que se transformou numa rede solidária. “Pensei nos que vivem sozinhos ou menos perto. Achei importante manter contacto, mas de modo prático Poderiam precisar de alguém que fosse à farmácia, fazer compras ou só conversar”. E assim todas as semanas à casa de Isabel chegam dúzias de ovos, mel, legumes, mas também máscaras e outros produtos que são vendidos ao preço do produtor ou simplesmente oferecidos.
Ficar em casa não é um sacrifício. “Gosto de estar em casa, de cuidar deles (o marido Fernando Gonçalves que até ao verão passado foi baterista dos Clã, e dos filhos Teresa e Benjamim) mudar tudo de sítio”, não tivesse Isabel uma loja onde vende peças de mobiliário, candeeiros e objetos vintage, e também novos. E se dedique a projetos de decoração.
Gosta de “ficar por casa, ficar por ficar, sem fazer nada”, embora “isso nunca aconteça”. Agora é tempo de ler mais do que o costume porque (sempre fui uma leitora compulsiva”, cozinhar “muito”, desenha – há uma coleção de árvores a nascer – e fazer workshops, o último foi de patchwork, e cuidar das plantas que enchem a casa situada bem no centro de Vila do Conde.
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
- (Fotografia: DR)
01 | Jogos e filmes
Passar o tempo em família
O Cluedo tem sido o grande aliado. Nestes dias em que estão os quatro em casa têm recorrido aos jogos de tabuleiro para passar o tempo. Entre os vários que se encontram em casa, o Cluedo tem sido o mais requisitado. E os filmes também têm sido um refúgio. “Parasitas”, “O homem invisível” e “Uma vida escondida” foram algumas das escolhas.
02 | Ler
Várias leituras ao mesmo tempo
Leitora compulsiva, está a ler vários livros ao mesmo tempo. “Histórias de mulheres”, de José Régio; “As lágrimas de meu pai”, de John Updike e “Uma gata e duas mulheres” de Junichiro Tanizaki”. Para além da culinária – “Tenho mais de 500 livros de culinária”, assinala. Agora está debruçada sobre o britânico Nigel Slater, as receitas e a biografia do autor. As revistas de decoração e arquitetura são outra paixão. E em casa não falta BD, graças ao marido.
03 | Exercício
Saudades das caminhadas
Numa altura em que parece que toda a gente decidiu fazer exercício com o apoio de múltiplas aplicações informáticas, Isabel reconhece que não gosta de fazer exercício. Sente, sim, falta das caminhadas na marginal de Vila do Conde e ainda não desistiu de tentar voltar a fazê-las muito cedo. Gosta de começar o dia bem cedo. “Adoro tomar o pequeno-almoço sozinha”, por volta das seis da manhã, no verão, um pouco mais tarde, no inverno. “É o meu momento egoísta”.
04 | A cozinhar
Cozinha japonesa
Recebeu um livro de cozinha japonesa. O primeiro passo foi arranjar todos os ingredientes. O próximo será confecionar katsudon, tsukune ou yakitori. Afinal, cozinhar para Isabel é um prazer. Nestes dias de confinamento tem cozinhado muitas sopas, tartes, bolos e pudins, batidos com fruta natural. E pratos para diversos paladares: a filha, Teresa, é vegetariana.
05 | Ouvir
Música, muita
Ouve-se muito e da mais variada, não fosse esta casa habitada por um músico. Desde os clássicos Beatles, Rolling Stones, Leonard Cohen ou Frank Sinatra, a outros menos óbvios, alternativos e recentes. Na play-list estão Big Thief, Florist, Kera & the Lesbians ,entre muitos outros. Nos interesses desta família, que cultiva o convívio entre amigos, está também o jazz.
06 | Futuro
O que está para vir
Quando tudo isto terminar e a normalidade regressar, Isabel quer voltar a abrir a “Bosque” e ter “boas conversas com clientes e amigos” como era norma na loja da Rua do Lidador. E dar “muitos abraços apertados, esmagar meio mundo”. Mas também “ver o mar, o pôr do sol, caminhar na marginal, ir ao campo com a família, fazer o piquenique de Páscoa que a quarentena nos roubou” Ou simplesmente “deitar-me na relva a olhar o céu”.



