“O Prato” dá a conhecer 15 receitas tradicionais da gastronomia feirense

Solha frita é uma das receitas que o projeto "O Prato" vai divulgar nas próximas semanas. (Fotografia: DR)
“O Prato” é um projeto com várias camadas que vai partilhar 15 receitas em 15 episódios online nas próximas 15 sextas-feiras. Rojões de redenhos, croquetes de batata, papas com couratos e chouriço e os doces charniquentos fazem parte da história da gastronomia feirense.

Arranca hoje mais uma etapa de “O Prato”, projeto multidisciplinar realizado pela Companhia Persona, com o apoio do Programa de Apoio à Cultura do Município de Santa Maria da Feira, que se concentra nas memórias do palato da população do concelho, nascido e criado para divulgar e promover a gastronomia local. Nas próximas 15 sextas-feiras, partilham-se 15 receitas culinárias em 15 episódios nas redes sociais da companhia artística Persona e nos sites da Câmara da Feira e da VisitFeira, onde ficarão alojados para memória futura. São 15 pratos tradicionais que fazem parte da história da comunidade.

Houve um tempo de pesquisas, de conversas, de trocas de receituário. Depois, foi feita uma triagem do material para os 15 episódios que se dividem em cinco categorias. Petiscos das tascas de Terras de Santa Maria com iscas de bacalhau, solha frita, rojões de ressô ou redenhos, sangue cozido, iscas de fígado. Petiscos cozinhados por famílias feirenses como croquetes de batata e conchinhas de camarão da casa da dona Mimi, pedaços de carne de porco grelhados com sumo de laranja da casa da dona Augusta e a sarricha, como quem diz sardinha, feita em casa do senhor Gilde. Há dois pratos de peixe, bacalhau coberto à moda da Maria Rita e bacalhau à espanhola, nos episódios 10 e 11. Papas com couratos e chouriço e frango à Trincão são os dois pratos de carne. A terminar, nos dois últimos episódios, duas sobremesas: charniquentos, que são uma espécie de queques à base de ovos, e doce contemporâneo da fogaça antiga.

São 15 receitas em conteúdo digital, que faz sentido no atual contexto, com publicação regular, uma em cada sexta-feira nas próximas semanas a partir de 11 de fevereiro até finais de maio. O prato é um prato que fala, que tem rosto, uma personagem virtual criada para ser a cara do projeto e que tem a responsabilidade de divulgar as receitas e contar as suas histórias. É uma nova temporada de uma iniciativa construída em várias camadas de investigação e residências artísticas, tendo como pano de fundo a candidatura de Santa Maria da Feira às Cidades Criativas da Gastronomia da Unesco.

E tudo acaba por fazer sentido. São memórias do palato que se querem preservar, comunicar, difundir. Lígia Lebreiro, diretora artística da companhia Persona, explica que a ideia é dar voz às receitas e ao passado e interpelar a memória da comunidade. “Não há uma culinária, uma gastronomia feirense muito definida, muito estabelecida. É uma terra entre o mar e a serra, uma terra de encontros e cruzamentos, as pessoas cozinhavam com o que chegava cá.” Ora com os peixes que as varinas de Ovar transportavam à cabeça, ora com as carnes e enchidos que desciam da serra. Recolheram-se então várias receitas. “Pegámos nas memórias, no que as pessoas faziam em casa, receitas que implicam mais tempo na cozinha, os petiscos das tascas que estão a desaparecer, receitas de famílias, cada casa tinha o seu petisco”, conta. Daí surgiu mais uma fase de “O Prato” que continua o seu caminho de cruzar as artes da culinária com as artes performativas e que culminará num espetáculo final imersivo e sinestético. Será uma apresentação em formato de jantar com comida, sabores, memórias, cheiros, sensações, emoções. A data ainda não está marcada.



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