O ataque das forças monárquicas, durante a chamada Monarquia do Norte, à sede do Clube Fenianos, na época a funcionar no Águia d’Ouro, na Praça da Batalha, ditou a vontade da associação de ter sede própria. Fundado por republicanos liberais em 1904, o Clube iniciou assim a construção de um edifício, em que se encontra até hoje, mesmo havendo partes do projeto original, da autoria do arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, inacabadas.
Vítor Tito, presidente da direção do clube desde 2018, tem apostado na reabilitação do edifício, que se encontrava degradado, e quer terminar o projeto original: “Faltam elementos pictóricos e figurativos, falta o torreão e um andar”, diz. O edifício ficou sem terminar devido, primeiro, à crise de Wall Street e, depois, à II Guerra Mundial. “É a Sagrada Família do Porto. Mas desta vez vamos acabar mesmo.”
O Clube Fenianos teve desde o início uma vocação social e nos primeiros anos destacava-se pelo corso carnavalesco. Inspirado pelos corsos brasileiros de finais do século XIX, por sua vez influenciados pelas tradições venezianas, organizou vários carnavais na cidade. Ao longo do tempo, muitos artistas da cidade contribuíram para criar carros alegóricos e fatos, como Rafael Bordalo Pinheiro e Teixeira Lopes. Essa tradição durou várias décadas e a sua história está exposta nas salas do clube.
Também se tornou famoso pela biblioteca, recentemente reaberta; pelo clube de ilusionismo, de onde saíram alguns dos mais importantes nomes da magia portuguesa; e pelo clube de bilhar, que continua na primeira divisão da modalidade de carambola.
“Temos também uma escola de dança que junta crianças das comunidades russa e ucraniana, a que queremos juntar crianças de mais comunidades imigrantes do Porto e também portuguesas. Queremos ter dança também para seniores, escola de música e workshops de fotografia”, diz.
O Teatro Experimental do Porto também nasceu lá, de que é testemunho o palco erguido para o grupo e a biblioteca de que o clube é fiel depositário. O jazz faz igualmente parte da sua história: “Fomos o primeiro clube de jazz em Portugal e continuamos a ter uma big band”, que anima as tardes dos Chás Dançantes. Todas as quartas-feiras à tarde, o edifício abre-se a visitas guiadas para dar a conhecer a histórica singular deste espaço.
# Clube Ilusionista Fenianos
Conhecido pela sigla CIF, foi fundado no final dos anos 1950 e durante décadas criou alguns dos mais importantes nomes do ilusionismo português, de que é exemplo, nas décadas mais recentes, Hélder Guimarães. Atualmente, encontram-se abertas inscrições para a escola de magia.
(Fotografia de Rui Oliveira/GI)
# Biblioteca centenária
“Para se ser um bom feniano é preciso ter-se cultura, e ser um bom feniano significava ser um bom cidadão”, explica Cristina Mouta, responsável pela biblioteca dos Fenianos. “Um dos “grandes horrores do clube era a ignorância”, por isso houve essa filosofia de disponibilizar livros para a comunidade. Aqui, encontram-se livros raros, como a edição do 300.º aniversário d’”Os Lusíadas”, ou um “Mapa Mundi Historico”.
(Fotografia de Rui Oliveira/GI)
# Museu dos Fenianos
O objeto mais antigo do Museu do Clube Fenianos é uma máquina de projetar que pertenceu ao portuense Aurélio da Paz dos Reis, autor
do primeiro filme português, “Saída do pessoal operário da Fábrica Confiança”, de 1896.
(Fotografia de Rui Oliveira/GI)