Uma pala com 100 metros de comprimento, revestida com mais de 3000 telhas de cerâmica brancas produzidas em Portugal, faz as boas-vindas ao novo Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, que reabriu em setembro depois de quatro anos fechado. O acrescento ao edifício renovado, autoria de Kengo Kuma, inspira-se no conceito de engawa, elemento da arquitetura japonesa que harmoniza o espaço interior e exterior, e reforça uma maior comunhão entre o centro e o seu exterior, que ganha agora uma nova entrada, pela Rua Marquês de Fronteira, e um novo jardim evolvente, pensado pelo paisagista Vladimir Djurovic.
Quarenta anos depois de ser inaugurado, o novo Centro de Arte Moderna chega mais luminoso, com um átrio transparente, e ganha quatro novas salas e um acrescento de 900 metros quadrados de área expositiva. Ao todo, entre pintura, escultura, instalações, desenho, gravuras, fotografias e vídeo, o portfólio atual conta com mais de 12 mil obras.

A Galeria da Coleção reúne 80 obras de arte dos séculos XIX, XX e XXI. (Fotografias de Rita Chantre)

A exposição “Da desigualdade constante dos dias de Leonor”, de Leonor Antunes.
“Queremos que o Centro de Arte Moderna seja centrado no artista, mas queremos ser uma interface para que um público cada vez mais diverso possa aproveitar o poder transformador da arte”, explica Benjamin Weil, diretor do centro.
Entre as exposições inaugurais está “Da desigualdade constante dos dias de Leonor”, da portuguesa Leonor Antunes, que questiona a invisibilidade das mulheres na história da arte moderna, entre esculturas suspensas de sua autoria e obras de outras 30 mulheres. A mostra “O Calígrafo Ocidental”, de Fernando Lemos, conta com mais de 200 desenhos, fotografias e estampas japonesas. Já a nova Galeria da Coleção, com 80 obras de arte dos séculos XIX, XX e XXI, tem como ponto de partida refletir sobre as revoluções dos dias de hoje. A estreia da Sala do Desenho e da H Box, esta última dedicada ao vídeo, são outras das novidades.

A mostra “O Calígrafo Ocidental”, de Fernando Lemos.

Há cerca de 12 mil obras para ver no renovado e reaberto Centro de Arte Moderna.
Na zona sul, o novo jardim do Centro de Arte Moderna aumenta a área verde do Parque Gulbenkian em dois hectares, entre a Rua Marquês de Fronteira e a Avenida de Berna. Por trilhos em linhas curvas, passeia-se entre arvoredo variado – sobreiros, olaias, ciprestes, tílias, pinheiros, eucaliptos ou plátanos -, plantas silvestres, zonas de assento e sombra e um lago que funciona como espelho refletor. Por estes dias, é normal avistar-se por aqui chapins, papa-moscas pretos, borboletas e libelinhas.

A pala que serve de ligação entre o edifício do museu e o jardim envolvente.

O novo Centro de Arte Moderna da Gulbenkian está mais conectado com a natureza em redor.
