Ergue-se sobre a garganta do Paiva, com os seus 516 metros de comprimento e 175 metros de altura, e é apresentada como uma das maiores pontes pedonais suspensas do Mundo. A PONTE 516 AROUCA, que liga as freguesias de Alvarenga e Canelas/Espiunca, constitui a mais recente atração de uma terra que já estava no roteiro dos amantes da natureza. Foi inaugurada no mês passado, com lotação limitada, para que cada visitante possa apreciar a paisagem ao seu ritmo, sem confusões. O bilhete, a comprar online, com antecedência, também dá acesso aos Passadiços do Paiva.
- A Ponte 516 Arouca e os Passadiços do Paiva vistos lá do alto. (Fotografias: Maria João Gala/GI)
O acompanhamento é garantido naquela estrutura imponente, que oferece uma visão ímpar sobre o vale do Paiva. Mas quem quiser uma experiência mais completa pode contactar a JUST COME – COUNTRYSIDE & ADVENTURE TOURS, especializada no território do Arouca Geopark, correspondente aos limites administrativos do concelho e classificado pela UNESCO como Património Geológico da Humanidade. Ao todo, são 328 quilómetros quadrados, com 41 geossítios (locais de interesse geológico), entre eles a garganta do Paiva e a Cascata das Aguieiras, bem visíveis sob os nossos pés, durante a travessia.
- A Cascata das Aguieiras sob os nossos pés, durante a travessia.(Fotografias: Maria João Gala/GI)
O programa da Just Come inclui visita guiada à ponte, com partilha de informações e curiosidades – como ter existido ali um castelo roqueiro – e aos passadiços. E ainda reportagem fotográfica, merenda e transfer, explica Pedro Teixeira, sócio-gerente daquele operador turístico, que também desenvolve atividades de aventura no Paiva.
A mais recente é o river tubing, que consiste em descer o rio numa boia, com ajuda de uma pagaia. A viagem, de três horas, é feita com capacete e colete salva-vidas e orientada por monitores, inclusive em caiaque de segurança. Tudo é mais divertido porque a boia gira sobre si mesma, nem sempre se controla a trajetória, e ainda se pára para saltar das rochas.
- A descida de rio em modo “tubing”, com paragens para saltar para a água. (Fotografias: Maria João Gala/GI)
Produtos locais e banhos salgados
Voltando à ponte: quem entrar por Alvarenga encontra, a um quilómetro, a CASA DO SOUTINHO. Este turismo em espaço rural tem horta, jardim, piscina de água salgada, sala e cozinha comuns e sete quartos com nomes de lugares da terra, como Ponte de Alvarenga ou Senhora do Monte. Desses, um é familiar, tem kitchenette e acolhe quatro pessoas; os restantes são duplos ou twins. Em tempos, a propriedade esteve ligada à residência do outro lado da rua, conta a responsável, Joana Nunes – dorme-se na antiga casa do caseiro, que tinha por baixo lagares e gado.
- A piscina de água salgada na antiga casa do caseiro. (Fotografias: Maria João Gala/GI)
A Casa do Soutinho, que pertence a um empresário do Grupo Novo Rumo, da restauração, e antes foi do fundador da marca de café Sical, Vicente Peres, tem o selo GEOfood, e isso reflete-se num pequeno-almoço muito assente em produtos locais. Café e chá estão disponíveis durante todo o dia, e para venda existe trigo doce, um bolo feito em forno de lenha, que os afilhados ofereciam às madrinhas, na Páscoa.
- Na Casa do Soutinho, os pães, bolos e frutas do pequeno-almoço são de produção local.(Fotografias: Maria João Gala/GI)
Alvarenga já era destino gastronómico antes de ser destino de natureza, muito graças ao bife generoso servido, ali, com batatas fritas às ondas. Isso mesmo atestam Décio Vieira e Maria Manuela Barbosa, que mantêm O DÉCIO de portas abertas e salas cheias há mais de 30 anos. O bife à moda de Alvarenga é a estrela da casa, com carne arouquesa D.O.P. certifica da e travessas de encher o olho.

Manuela na cozinha d’ O Décio.
(Fotografia: Maria João Gala/GI)

O famoso bife de Alvarenga, “capital do Mundo”.
(Fotografia: Maria João Gala/GI)
Morcelas doces e ovos de pêga
Arouca, em geral, é famosa pela boa mesa – e ela engloba a doçaria conventual, tradição que perdura na família de Jorge Bastos. Uma tia-avó do pai foi aia no Mosteiro, aprendeu as receitas, e estas passaram para a avó e o pai de Jorge, que acaba de iniciar mais um capítulo nessa história, com a abertura d’ A FÁBRICA DOS DOCES.
- A nova loja de Jorge Bastos. Em destaque, as morcelas doces.(Fotografias: Maria João Gala/GI)
Naquele misto de fábrica, loja e esplanada, há uma variedade de doces conventuais, das castanhas de ovos, assadas na brasa, às morcelas doces, com pão, amêndoa, manteiga, açúcar e canela. E ainda alguma doçaria regional, incluindo criações do pai, Manuel Bastos, como a pedra boroa (doce de ovos e amêndoa com recheio de chila, inspirado nas pedras que lembram côdeas de broa na Serra da Freita) ou os ovos de pêga (com avelã, e que remetem para uma lenda do Mosteiro). Quem quiser provar um pouco de tudo tem o sortido conventual “516 Arouca”, de grandes proporções, como a ponte que lhe dá o nome.

Doces conventuais e regionais.
(Fotografia: Maria João Gala/GI)
O poder da carne
No centro de Arouca, há dois restaurantes, frente a frente, que apostam nas boas carnes da região. Um deles é o PARLAMENTO, com especialidades como vitela arouquesa assada à moda regional e cabrito, este último disponível nos fins de semana e feriados. José Luís Teixeira Júlio abriu a casa em 1996, então com outro sócio, após terem trabalhado num bar vizinho. Era o ASSEMBLEIA, que entretanto virou restaurante. Daquela cozinha, que não encerra, sai a habitual posta arouquesa, mas também algumas alternativas aos pratos regionais. A ligação ao território transparece sobretudo nas sobremesas: a “Passadiços do Paiva”, recheada com barrigas de freira; e a “Minas crocantes”, em alusão às antigas minas de volfrâmio, que combina crumble de maçã e gelado de baunilha.

Vitela arouquesa assada à regional, no Parlamento.
(Fotografia: Maria João Gala/Global Imagens)

A sobremesa “Passadiços do Paiva”, do Assembleia.
(Fotografia: Maria João Gala/GI)
Regras na ponte
É proibido entrar na Ponte 516 Arouca com mochilas e sacos volumosos, sapatos de salto alto ou chinelos. Também não são admitidos carrinhos de bebé nem animais de estimação.
Capital do Mundo
Alvarenga é conhecida como a “capital do Mundo e do bife”. Muita gente da terra emigrou, nos anos 1950 e depois, para fugir à Guerra Colonial, mas manteve ali o seu centro.
