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Nara Takeda: “O que me fascina são as histórias das pessoas no mundo do tricô”

Nara Takeda no encontro internacional de tricô “Toma lã, dá cá”, em Leiria. (Fotografia: Nuno Brites/Global Imagens)

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É a primeira vez que está em Portugal. Como é que acontece esta viagem?

A ideia de vir a Portugal surgiu quando identifiquei a necessidade de começar a produzir um conteúdo mais internacional para o meu canal de YouTube. Porque eu faço muitas matérias sobre novidades do mundo do tricô, da “tricosfera”, mas é sempre bom ter algo novo e conhecer públicos novos também. Foi por isso que decidi passar estes dois meses em Portugal, Espanha e Itália. Só regresso ao Brasil no dia 1 de janeiro.

E ao longo desse tempo vai percorrer o país?

A minha ideia é fazer uma tour por todas as retrosarias que conseguir (é o que estou a fazer já desde o início de novembro), as marcas de fios, tanto em Portugal como em Espanha e Itália. Embora nesses dois países vá estar poucos dias. A maior parte do tempo reservei para estar convosco.

Mas esta não é a sua área profissional de base. Foi uma área que descobriu recentemente, durante a pandemia. Como é que isso aconteceu?

Sim, muito recentemente. Eu comecei a tricotar em julho de 2020, precisamente quando fiquei em casa. Descobri o tricô muito por acaso. Estava a ouvir um podcast sobre literatura e uma das convidadas foi uma professora de tricô. Decidi experimentar e fiz um curso de iniciação. Então nunca mais parei: primeiro fiz um cachecol, depois um casaco reto, depois um modelo top down. Entretanto conheci algumas retrosarias no Brasil que também davam aulas online, depois descobri os festivais internacionais…

Descobriu todo o universo do tricô, foi isso?

Sim, na verdade foi isso. Fui-me entrosando casa vez mais. E então comecei a fazer entrevistas com a comunidade, à medida que conheci várias designers – como a Pris, que está comigo agora em Portugal, a Iris, a Bárbara, entre outras.

O que é que a fascinou neste mundo do tricô?

Quando eu faço tricô consigo esvaziar a minha mente. E isso é muito importante para mim, porque o meu trabalho é muito “pesado”. E depois o facto de conhecer pessoas tão diferentes, que gostam do mesmo passatempo. Além disso é uma comunidade acolhedora, sempre unida, que gosta de experimentar coisas novas. Eu acho que encontrei a minha tribo, a minha turma.

(Fotografia: Nuno Brites/GI)

E que diferenças encontrou em Portugal neste universo quando comparado com o do Brasil?

Aqui vocês têm uma história das manualidades (tricô e croché) muito mais antiga. Lá é menos passado de geração em geração. Aqui vejo que o conhecimento é muito mais vasto, as escolhas são muito mais guiadas, e isso nota-se até pelo número de retrosarias, o que denota o quanto o mercado é mais evoluído.

Qual é a técnica que utiliza para tricotar?

É curioso…porque comecei a tricotar com o método inglês, depois passei para o continental, mas como mais tarde fiz um curso online com a Filipa Carneiro, acabei por começar a tricotar à portuguesa. E percebi que é muito mais fácil, nomeadamente para trabalhos de cores.

E como é que nasceu esta ideia do canal e de entrevistar as tricotadeiras?

Eu sempre tive muita curiosidade sobre o processo e sempre achei interessante divulgar o processo pelo meio do qual fazem as coisas e aprendem novas técnicas. Acho sempre que por de trás da técnica, da loja, da empreendedora tem uma história humana. E isso é o que me fascina. As histórias das pessoas por detrás das peças e das lojas. E são elas que nos prendem, muito mais que o produto ou a marca.


A NARA ONLINE

O TRICÔ NAS REDES SOCIAIS

Nara Takeda é autora do canal no YouTube Knit Nara News, mas é no Instagram que tem feito grande sucesso ultimamente, nomeadamente com diretos a partir dos encontros de tricô que se realizam pelo país. Aos domingos à noite, há sempre encontro marcado na página Knit.nara.knit.