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Na Praia da Vieira há banhos de iodo, surf e pesca artesanal

Júlio Castanho, “Gilito”, um emigrante que regressa todos os anos à Vieira para ajudar a remendar as redes. (Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)

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No areal da Praia da Vieira ainda se contam muitas histórias de outros tempos, imortalizadas num mural do paredão. Ali, numa das praias-cartão de visita da Marinha Grande, a arte xávega não é (só) para turista ver: é ainda modo de vida para muitos pescadores da terra, numa das três embarcações que vão e vêm. E por estes dias, na volta da pesca, as redes não deram vazão a tanto pescado. Que o diga Virgílio Castanho, um dos últimos a saber manusear a agulha e a linha com que se cosem e remendam novas e velhas e redes. É ele que encontramos na praia, tão saudoso da Vieira como do Rio de Janeiro, para onde emigrou aos 14 anos. Afinal, que melhor história caberia nesta figurada pescadinha de rabo na boca?

A Praia da Vieira é chão de avieiros, os homens e mulheres que dali partiram para outras paragens, enquanto pescadores nómadas, quando o mar os fazia entrar no defeso. E é também esta a praia de eleição para o (re)encontro de milhares de emigrantes da região, oriundos de várias aldeias dos concelhos de Pombal, Ourém e Leiria. Depois, há um público nortenho que lhe é muito fiel.

(Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)

Os mais jovens começam agora a descobrir o surf nas ondas quase sempre presentes do mar quase sempre rebelde da costa atlântica, que suaviza junto à foz do rio Lis. E os mais velhos não dispensam a riqueza de sempre desta praia: o iodo, absorvendo-o junto ao mar, nas caminhadas pelos passadiços de madeira, ou nas tardes de esplanada de qualquer um dos bares. São muitos e com ambientes diversos. Para os amantes da peixe e marisco, a Vieira é também paragem obrigatória no verão, sendo que de qualquer ruela poderá ouvir-se o refrão mais entoado pelas peixeiras locais: “quem compra sardinha/fresquinha a saltar? Ela é da nossa praia/saiu agora mesmo do mar”.

Como ir? De carro, a partir da Figueira da Foz, pela estrada atlântica; a partir de Leiria pela EN 109.

Acesso para deficientes: sim

Bandeira azul: sim

WC e chuveiros: sim

Estacionamento gratuito: sim

(Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)


O que fazer ao redor da areia

Saborear o arroz de marisco

À mesa da marisqueira Lismar (o Ledo), João Ramusga serve todos os dias uma das [eleitas] sete maravilhas da gastronomia portuguesa: o arroz de marisco, confecionado em tacho de barro. Ele e a irmã, Liliana, herdaram do pai este negócio, fundado em 1979, mas com origens nas histórias dos pescadores que João cresceu a ouvir, ali no areal, desde os tempos do avô, Alfredo (Ledo). Há sempre percebes, camarão da costa, ameijoa e outros petiscos. Para os apreciadores, dois ou três pratos de carne.

(Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)


Um mergulho no Mariparque

Nos dias em que o mar está mais revolto, os veraneantes que escolhem a Praia da Vieira para férias ou passeio têm sempre uma alternativa: o parque aquático mais próximo do mar em toda a costa portuguesa e na Península Ibérica. Fundado em 1995, o Mariparque está integrado num complexo hoteleiro mas é de acesso autónomo. Apenas a avenida marginal separa a praia destes mergulhos.

(Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)


Caminhar até ao Pedrógão

Pouco mais de seis km separam as duas praias mais próximas da costa atlântica nesta região: Vieira e Pedrógão. Há uma ciclovia que acompanha a estrada, e muitos são os que a usam também para caminhar. Estima-se cerca de uma hora e 14 minutos para fazer este percurso.

(Fotografia de Nuno Brites/Global Imagens)