Porto: na Ave Azul há livros ilustrados para crianças e adultos

(Fotografia de Pedro Granadeiro/Global Imagens)
Uma professora de Filosofia rendeu-se à literatura ilustrada e acabou por abrir uma livraria independente com títulos que servem tanto a crianças como a adultos. Chama-se Ave Azul e fica no centro comercial Parque Itália, na Boavista.

Maria Inês Gomes foi professora de Filosofia e, como tal, dá importância aos conceitos: a livraria independente que acaba de abrir no Porto é de literatura ilustrada e não exclusivamente para a infância. Prefere fugir à etiqueta dos livros para crianças por entender que aquelas obras se destinam a gente de todas as idades; e evita a categorização por faixas etárias, de forma a deixar margem para a subjetividade. Para ela, a distinção faz-se entre os livros para bebés (por exemplo, de pano, com texturas) e todos os outros.

Maria Inês Gomes, a proprietária da livraria. (Fotografia de Pedro Granadeiro/Global Imagens)

O seu interesse pela área surgiu quando se viu sem colocação e foi trabalhar como livreira para a editora Edicare. Ficou com vontade de ter um negócio próprio e, em setembro, inaugurou a Ave Azul no Centro Comercial Parque Itália, perto da Rotunda da Boavista. “É um espaço pequenino, mas eu estico-o”, comenta, a sorrir. E assim parece, quando começa a sugerir títulos, a partilhar histórias de cariz universal. “Sinto que está a nascer um novo público, pessoas na faixa dos 30-40 anos, que não têm filhos, mas gostam muito de ilustração”, conta, explicando que procura selecionar obras que não se encontrem nos grandes espaços comerciais. Os temas podem ir do amor à perda, passando pela justiça ou pela cooperação. Alguns livros apresentam “mensagens mais revolucionárias”, havendo até clássicos adaptados, com desfechos surpreendentes.

A livraria independente que acaba de abrir no Porto é de literatura ilustrada e não exclusivamente para a infância. (Fotografia de Pedro Granadeiro/Global Imagens)

O nome do projeto prende-se com as raízes da livreira, que é de Viseu – foi lá que surgiu, em 1899, a revista de arte e crítica Ave-Azul, pela mão do casal Beatriz Pinheiro e Carlos de Lemos, com ligação ao movimento republicano. Ora, “com o advento da república viriam direitos para todos os cidadãos, incluindo o direito à literacia”, diz.

A ideia de ave também lhe fez sentido, ou não servissem os livros para dar asas. Na loja criou, inclusive, um “ninho da leitura”, um canto onde se recria uma árvore com pássaros coloridos, em tecido. Aqui e ali, espreitam outros bonecos de pano em forma de animais, que parecem saltar das páginas. São feitos pela mãe, com a sua ajuda, e animam um espaço que se quer dinâmico – tanto que, em breve, vai passar a ter algumas atividades.

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