Maia: espreitar o solar das festa da realeza

Exterior da quinta. (Fotografia: Artur Machado/Global Imagens)
Há cerca de um ano que a Quinta dos Cónegos abriu as suas portas, permitindo aos mais curiosos entrar naquele que foi o solar das festas da realeza durante o século XX.

A Quinta dos Cónegos transborda de histórias – algumas ainda bem guardadas entre as suas paredes -, acumuladas ao longo dos anos, desde a sua construção no século XVIII. Foi edificada ao estilo barroco e com influências de Nicolau Nasoni, ainda que a única peça cuja autoria é oficialmente atribuída ao artista e arquiteto italiano seja a fonte em forma de dragão que se encontra em frente ao solar.

A propriedade terá servido como casa de descanso e veraneio ao cabido da Sé do Porto, daí o nome por que ficou conhecida. Já no século XX, passou para a posse da família Sobral Mendes, proprietária das minas de São Pedro da Cova, e foi aí que começou a fervorosa vida social e cultural do solar, frequentado por membros da alta sociedade, em festas e reuniões que causavam algum burburinho entre os maiatos, pelo secretismo que as envolvia. Por ali passaram figuras de relevo, como o rei Juan Carlos de Espanha e os reis da Bélgica – à altura ainda príncipes.

Um incêndio que deflagrou em 1992 destruiu quase na totalidade o miolo da casa – apenas a capela ficou intacta -, e nesse mesmo ano, a propriedade foi adquirida pela Fundação Ricardo Espírito Santo, responsável pela recuperação, à época, de todo o edifício. Em 2017 a quinta passou para a chancela do município e desde o ano passado, está finalmente de portas abertas à comunidade.

Uma das salas da casa senhorial.
(Fotografia: Artur Machado/Global Imagens)

Os jardins
Os belos jardins que rodeiam o edifício principal são o poiso ideal para uma tarde de leitura, observação de pássaros ou simplesmente descanso. Os seus seis hectares de extensão podem ser explorados livremente a qualquer dia da semana, num passeio que passa por relvados, fontes ao estilo barroco e espelhos de água, que refrescam o ambiente nos dias mais quentes. Há ainda um campo de ténis, e ao passar por lá saltam à atenção os painéis de azulejos que adornam alguns dos muros, com pinturas alusivas ao desporto. Ali se passa uma tarde sem esforço, embalada pelo chilrear de algumas aves e pelo vento na folhagem. Um véu de tranquilidade apenas rasgado de vez em vez com a passagem do metro, ali mesmo ao lado, a lembrar que além muros está uma cidade vibrante.

A casa
Se encanta o exterior, também o espólio da casa senhorial não se deixa ficar atrás. Por agora, as visitas ao interior do edifício estão sujeitas a marcação prévia, mas valem bem a pena. Após o incêndio, o restauro, levado a cabo pela Fundação Ricardo Espírito Santo, enriqueceu o miolo da casa com peças de mobiliário e decoração únicas, exemplares de diferentes períodos e correntes, como o estilo Império, Oriental, Luís XV e outros. A torrente de luxo e extravagância estende-se às paredes de salas decoradas com pinturas ou ainda às cadeiras da sala de jantar com pormenores em folha de ouro. É também nessa divisão que se encontra um dos artefactos que mais se destaca do espólio. Trata-se de um biombo de Arte Nanban (século XVI), um período de criação artística japonesa que foi inspirada nos primeiros contactos com os europeus, iniciados com a chegada dos portugueses ao Japão, em 1543.

 

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.

 

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