Lucas Till nunca tinha pensado em fazer carreira na representação. Em criança, era apenas mais uma menino nascido no Texas e criado na Geórgia, que vivia com a família e gostava, mais do que qualquer outra coisa, de imitar vozes e vestir personagens. Foram os pais que decidiram matriculá-lo numa escola de teatro. Lucas acabou por ser descoberto por um agente, que o introduziu no mundo do cinema e da televisão.
A série “MacGyver”, estreada em 2016 e cuja 4.a temporada se estreia a 1 de outubro na Fox, foi a produção que maior projeção lhe deu. Versão do clássico homónimo de 1985 protagonizado por Richard Dean Anderson, este drama de ação e aventura centra-se no jovem que lhe dá nome. Recrutado por uma organização clandestina dentro do Governo dos Estados Unidos, ele usa o seu vasto conhecimento científico e, em especial, o seu extraordinário talento para resolver problemas e salvar vidas.
O que poucos sabem é que a alegria por interpretar esta personagem icónica se transformou num autêntico pesadelo para Lucas Till. O ator, agora com 30 anos, pensou em afastar-se da TV (e assumiu ter ponderado tirar a própria vida) depois de ter sido, alegadamente, maltratado pelo produtor da série, Peter M. Lenkov. Em entrevista à revista norte-americana “Vanity Fair”, enumerou algumas das críticas que disse ter ouvido da boca do responsável: “Havia sempre algo na minha aparência que não lhe agradava, como quando eu estava a usar uma farda de médico. Ele disse que as minhas pernas estavam “medonhas” e que nunca mais as podíamos mostrar.
Lucas prosseguiu: “Assim como ele gritou para o diretor: ‘Oh, meu Deus! Vista-lhe a camisa, ele parece um rapazinho. Eu tinha dificuldade em manter ‘peso de homem’ na série por causa do stresse. Não tinha tempo para ir ao ginásio e tinha uma alimentação desadequada”.
O ator afirma ainda que nunca trabalhou “tanto como para esta série, mas a forma como o Peter tratava as pessoas era inaceitável”. “Pensei em suicídio durante as gravações da primeira temporada por causa da forma como ele me fez sentir. A gota de água foi a forma como ele tratava as outras pessoas no set das gravações”, explicou Lucas.
Peter M. Lenkov negou as acusações, mas a CBS, produtora e canal em que a série é exibida nos EUA, demitiu-o. “É difícil ouvir que o ambiente de trabalho que eu criei não era aquele que os meus colegas mereciam. Aceito a responsabilidade por isso e estou empenhado em fazer melhor”, respondeu, em declarações àquela publicação.
Também a CBS divulgou uma nota em que frisou estar “continuamente focada na construção de confiança com todos os que trabalham” na cadeia. E terminou com um aviso: “Todas as queixas são levadas a sério, todas as reivindicações são investigadas e, quando há evidências claras de que as políticas foram violadas e os valores não foram mantidos, tomamos medidas decisivas”.