Ler: histórias para pensar na vida que levamos

Uma menina de olhos tão ocupados pelo ecrã do telemóvel que perde todas as coisas boas à sua volta. Um menino que não consegue acabar de comer nem de brincar por causa da constante pressa dos adultos. Estes livros para crianças devem fazer-nos a todos, grandes e pequenos, pensar no estilo de vida dos dias de hoje.

Uma imagem arrepiante dos olhos esbugalhados e vermelhos de tensão abre este novo livro do ilustrador português André Carrilho, editado pela Bertrand, que chegou este verão às livrarias. É um plano aproximado dos olhos da menina que os tem sempre colados ao ecrã do telemóvel – e que representa, sem qualquer equívoco, muitas crianças dos nossos dias. E é inevitável concluir que, apesar deste ser um livro infantil, evoca muitos adultos também.

André Carrilho é ilustrador, cartunista, animador, caricaturista e vencedor do Grande Prémio do World Press Cartoon 2015 e autor galardoado com mais de 30 prémios nacionais e internacionais, com participações em exposições individuais e coletivas em vários países do Mundo. Neste “A menina com os olhos ocupados”, aborda frontalmente um fenómenos que se tornou quotidiano: a omnipresença dos ecrãs nas mãos (e nos olhos) das crianças.

Esta menina não come sopa, nem fruta nem gelados; anda sempre sozinha, nunca se surpreende, assusta, ri ou chora. Não dá conta que passa no espaço nem que pisa o pé de um palhaço. Não vê nenhuma das coisas reais ou fantasiosas que as crianças costumam ver. E o que custa é também confrontarmo-nos com isso neste livro de belas aguarelas – ela perde também a capacidade de sonhar.

“Nunca presta atenção a nada. E não gosta de ser incomodada”, conta o narrador. A reviravolta da história não traz necessariamente alívio: seremos todos nós como a menina com os olhos sempre ocupados?

“A Menina com os olhos ocupados”, de André Carrilho
Bertrand
48 pág.
PVP: 12,20 euros

O rapaz refém da pressa

“Todos os dias, o Artur tem que se despachar a fazer tudo” é uma das frases do livro sobre um menino que está sempre a ser pressionado, puxado, empurrado por algum adulto apressado. Por isso, o pequeno Artur fica com o estômago abalado, com as brincadeiras sabotadas e alguns gritos nos ouvidos. Este livro da autora francesa Nadine Brun-Cosme é um tocante relato da vida acelerada de hoje pelos olhos de uma criança.

“Artur e as pessoas muito apressadas”, de Nadine Brun-Cosme e Aurélie Guillerey
Fábula
32 pág.
PVP: 12,99 euros



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