Em rigor, o aniversário foi em setembro passado, mas a pandemia levou ao adiamento das celebrações dos 25 anos do hotel. Pois elas arrancam agora, com a publicação daquele livro de “receitas e histórias” que remontam a 1326, como se lê na capa. Afinal, a quinta que acolhe o emblemático cinco estrelas soma já quase sete séculos de existência – está associada à paixão proibida entre D. Pedro e D. Inês de Castro, mas também à avó dele, a rainha Santa Isabel, que mandou construir um canal para levar a água de duas nascentes até ao vizinho Mosteiro de Santa Clara.
O hotel está cercado por 12 hectares de jardins, e foi justamente nos espaços exteriores que Inês Mendes, do projeto Ananás e Hortelã, escolheu fotografar os pratos integrados na publicação. As receitas, com assinatura do chef Vítor Dias e da sua equipa, abrangem entradas, pratos de peixe, carne e sobremesas, tudo muito assente em produtos regionais, da praia à montanha – não faltam, por exemplo, o arroz do Baixo Mondego, o mel e o queijo da Serra da Lousã, o leitão da Bairrada, o peixe fresco ou os doces conventuais.
- O chef Vítor Dias, com o naco de Angus, e uma das sobremesas do livro: a floresta doce. (Fotografias: Inês Mendes/DR)
Algumas receitas já vêm de trás (é o caso do leite-creme queimado com gelado de tomilho), mas surgem atualizadas pela mão de Vítor Dias e enriquecidas com ingredientes da quinta, incluindo flores do jardim. Entre os pratos disponíveis, neste momento, no restaurante de fine dining Arcadas, estão o bacalhau com feijão “cabeça de coelho”, a barriga de leitão confitada e a sobremesa na capa: “O coração” de Inês de Castro. Tudo a harmonizar com vinhos da garrafeira, guardiã de mais de 300 referências, sobretudo do Dão e da Bairrada, e o contributo dos três escanções.
- O bacalhau com feijoada de “cabeça de coelho” e o leite-creme queimado com gelado de tomilho. (Fotografias: Inês Mendes/DR)
A edição conta ainda com textos de Miguel Júdice, alusivos, por exemplo, à história da casa e aos tesouros gastronómicos regionais. “Quisémos fazer um slow book (livro lento)”, afirmou ele, na sessão de apresentação, que decorreu na terça-feira passada. E estabeleceu um paralelismo entre a criação da obra e a slow food (cozinha lenta): “Como um bom vinho, demora tempo; como um bom molho, demora tempo”.
O Livro de Receitas da Quinta das Lágrimas, uma edição bilingue, em Português e Inglês, custa 20 euros. Está à venda no hotel, podendo ser enviado por correio para qualquer outro lugar (encomendas pelo e-mail reservas@quintasdaslagrimas.pt).

O Hotel Quinta das Lágrimas, instalado num antigo palácio do século XVIII, tem 55 quartos com diferentes atmosferas, restaurante, spa, piscina e golfe. Este membro da rede Small Luxury Hotels of the World (Pequenos hotéis de luxo do Mundo) reabriu no início de maio, com novas experiências – desde piqueniques nos jardins até visitas guiadas) e uma campanha de 20% de desconto, válida até ao próximo dia 15, entre domingo e quinta-feira.
Os festejos de aniversário englobam várias iniciativas, que se estendem pelos próximos meses. Entre elas, jantares temáticos e o habitual Festival das Artes, que decorre no verão, tendo como cenário principal o anfiteatro Colina de Camões.

Flores comestíveis dos jardins.
(Fotografia: Inês Mendes/DR)
