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Henrique Fogaça: “Alguns povos chegaram a entrar em guerra por um punhado de sal”

O chef Henrique Fogaça traz livro novo na bagagem. (Fotografia: Essential Idea Editora/DR)

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Primeiro, veio o rock. Mais tarde, a cozinha. Pelo meio, houve e continua a haver outras coisas. Em entrevista realizada por e-mail, Henrique Fogaça – chef multifacetado, conhecido de muitos como jurado do programa de TV MasterChef Brasil – fala do seu percurso e da vinda a Portugal, onde pondera abrir um restaurante.

É chef, empresário, cantor e compositor na banda hardcore Oitão, praticante de skate, e ainda tem a marca de vestuário PODEPA. Qual destas facetas nasceu primeiro? E como concilia tudo?

O Fogaça rockeiro veio antes de todas as outras facetas que me completam hoje. Sou apaixonado por música desde a infância, principalmente rock e harcore, e adotei esse estilo de vida para todas as áreas. Isso reflete-se até no nome dos meus negócios. Para conseguir conciliar tudo, confesso que é uma correria, mas já estou acostumado. Gosto da adrenalina do dia corrido, sinto-me vivo. Ter de conciliar coisas que amo fazer torna mais fácil a conciliação. Também tenho uma equipa em que confio muito ao lado.

O seu gosto pela cozinha despontou na casa dos 20 anos, quando foi viver para São Paulo com a sua irmã e passou a cozinhar, pedindo receitas à mãe e à avó. Hoje, está à frente dos restaurantes Sal, Sal Grosso, Cão Véio e Jamile. Imaginava que seria esse o caminho?

Uma das lições mais importante que aprendi na vida é confiar no meu trabalho. Nunca tive medo de me arriscar e sabia que só poderia conquistar algo se tentasse. Quando decidi largar uma vida mais estável para me tornar chef, algo que na época parecia incerto, tive de ter confiança em mim mesmo e no meu potencial. Na época, não poderia afirmar qual seria exatamente o meu caminho, mas já sentia que não seriam em vão todos os esforços.

(Fotografia: Essential Idea Editora/DR)

Estudou e trabalhou em áreas muito diferentes, da arquitetura ao comércio, passando pelo ramo imobiliário. Isso reflete-se no seu trabalho como chef, hoje?

Sempre me dediquei ao máximo em todos os trabalhos que executei, independentemente da área. E toda a minha trajetória, até me encontrar e me realizar na cozinha, fez com que aprendesse a sempre dar o meu melhor e nunca desistir, além de valorizar a oportunidade de trabalhar com a gastronomia.

Fiz uma pausa temporária no Masterchef amadores, para conseguir dedicar-me aos projetos pessoais e profissionais, principalmente no que diz respeito à família, mas logo estarei de volta nas temporadas do MasterChef Profissionais MasterChef+

No seu percurso na cozinha destaca-se a participação no programa televisivo MasterChef Brasil, que acaba de deixar. O que retira dessa experiência?

É importante esclarecer que não deixei o programa. Fiz uma pausa temporária no Masterchef amadores, para conseguir dedicar-me aos projetos pessoais e profissionais, principalmente no que diz respeito à família, mas logo estarei de volta nas temporadas do MasterChef Profissionais MasterChef+, retorno ainda nesse ano! Estou no programa desde 2014. Com tantos anos nessa vivência, para mim, tornou-se mais do que um programa, é uma família! Sou muito grato por tudo, por todos os momentos com os meus colegas jurados, que se tornaram amigos, toda a equipa da Band e os meus fãs, que sempre me acompanharam e incentivaram com muito carinho e respeito.

Vem a Portugal para uma série de jantares realizados a quatro mãos, com chefs portugueses, no âmbito do lançamento da edição europeia do livro O Mundo do Sal, que inclui 45 receitas inéditas suas e foi escrito em colaboração com o jornalista Rogerio Ruschel. Por que decidiu abordar o tema do sal?

Sem o sal a gastronomia não seria a mesma que é hoje, é um ingrediente milenar e que traz muitas histórias culturais e sociais. Decidi abordar o sal porque se trata de um ingrediente muito democrático e universal, sendo o mais usado em todas as cozinhas do Mundo.

Alguns povos da antiguidade chegaram a entrar em guerra por causa de um punhado de sal. O sal também é uma necessidade vital, pois sem sódio o organismo é incapaz de transportar nutrientes e oxigénio.

O que descobriu de mais surpreendente em relação ao sal?

O sal é muito importante na atualidade, mas uma curiosidade histórica muito interessante dá-se pelo facto de ter sido indispensável na história da construção da sociedade. Alguns povos da antiguidade chegaram a entrar em guerra por causa de um punhado de sal. O sal também é uma necessidade vital, pois sem sódio o organismo é incapaz de transportar nutrientes e oxigénio.

Como surgiu a ideia de fazer esta digressão culinária por Portugal, do Norte ao Algarve?

Já estive algumas vezes lá e fui muito bem recebido e acolhido. Tem alguns chefs que conheço e, como é um país pequeno, a gente transita por essas cidades, que são maravilhosas e têm uma gastronomia bem exaltada.

Nesses cinco jantares, espera-se uma fusão entre as cozinhas portuguesa e brasileira. Há pontos de contacto entre elas?

Sim, ambas têm muitos ingredientes diversificados, cada uma com a sua cultura gastronómica. Nós, do Brasil, temos várias cozinhas regionais, e eu vou levar um pouco daquilo a que estamos acostumados por aqui, acredito na fusão perfeita entre os pratos. A culinária brasileira e a culinária portuguesa estão no mesmo patamar de qualidade e ingredientes. Outro ponto em comum é falarmos o mesmo idioma, o que nos aproxima, facilita a comunicação e a conexão entre os países.

(Fotografia: Essential Idea Editora/DR)

Em 2019, em entrevista à revista Saber Viver, disse estar a ponderar abrir um restaurante em Portugal. Ainda tem essa intenção?

Sim, tenho a intenção, num futuro próximo, de ter um Sal Gastronomia em Portugal. Como começou a pandemia, mudámos um pouco alguns planos. Mas a ideia é agora, com essa viagem, também dar uma olhada, ver como está o mercado.



Jantares a quatro mãos (com direito a livro)

O primeiro dos cinco jantares promovidos pelo chef Henrique Fogaça realiza-se já nesta quinta-feira, dia 23, no Hotel Montebelo Ílhavo Vista Alegre, com a participação do chef residente, Rui Rodrigues. Os seguintes acontecem no Porto, em Cascais, Évora e Algarve, envolvendo, respetivamente, os chefs João Vieira, Vítor Sobral, Jorge Peças e João Viegas. Os bilhetes, à venda aqui, custam entre 125 euros e 150 euros e incluem a oferta de um exemplar assinado d’“O mundo do sal”.

(Imagem: Essential Idea Editora/DR)