Valongo é um cofre de tesouros geológicos e paleontológicos, e agora tem finalmente um espaço onde os mostrar aos visitantes. Instalado na antiga Casa-Museu Dias Oliveira, a nova Casa da Trilobite e do Património Geológico veio dar resposta à necessidade de haver um lugar dedicado a este artrópode marinho que habitou o território há 500 milhões de anos, e que é uma das marcas identitárias do concelho. “Tínhamos muitos pedidos de pessoas que queriam conhecer as trilobites de Valongo”, realça Mariana Vilas Boas, técnica superior responsável pela Casa da Trilobite.

Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)

Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)
Além de acolher as coleções de fósseis que o município já detinha, o equipamento também está aberto a receber outras peças. Desde a inauguração, em setembro, a casa já recebeu cerca de 40 doações, e há até uma sala exclusivamente dedicada aos fósseis recolhidos pela população local e doados ao longo dos anos ao Museu Municipal.
Na sala da exposição permanente, salta desde logo à vista um grande expositor em forma de trilobite, feito em peças de madeira, onde estão dispostos diversos fósseis, juntamente com informações sobre a sua anatomia, crescimento e transformações, e algumas curiosidades. A visita pode ser feita de forma autónoma, mas recomenda-se a marcação de uma visita guiada, para conhecer mais a fundo estes animais, que habitaram a Terra muito antes dos dinossauros. “Algumas trilobites eram cegas e outras tinham vários olhos”, informa Mariana. E podiam ter milímetros ou até várias dezenas de centímetros. “A maior trilobite até agora descrita está em Arouca, com quase 80 centímetros de comprimento. Mas curiosamente, durante centenas de anos, a maior trilobite do mundo era aqui de Valongo, era uma trilobite chamada Uralichas Ribeiroi, e tinha entre 65 e 70 centímetros”.
- Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)
- Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)
- Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)
- Casa da Trilobite e do Património Geológico (Fotografia de Artur Machado)
Mas porque é que em Valongo se encontram tantos registos destes animais? A resposta está no movimento das massas continentais. “Quando as trilobites surgiram no planeta, Valongo não estava nas latitudes atuais, estava no Pólo Sul”, explica Mariana. O movimento das placas fez surgir em Valongo um anticlinal, ou uma dobra de terreno, que permitiu a formação das serras e o afloramento de rochas fossilíferas, trazendo à superfície esses tesouros paleontológicos.
Jardim Fóssil Vivo
Quando estiver terminada, a área exterior da Casa da Trilobite terá várias facetas, entre elas um jardim de “fósseis vivos”. “Queremos colocar aqui plantas que existem atualmente mas que também encontramos no registo fossilífero, como os fetos”, diz a responsável pelo equipamento. O pátio terá ainda um espaço dedicado à realização de ateliês, uma caixa de areia com réplicas de fósseis, para simular escavações paleontológicas, e um jardim geológico, com amostras de rochas das diferentes formações geológicas do concelho.
